Dia da Criança deve reverter crise no setor de brinquedos; vendas caíram 35%
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sexta-feira, 01 de outubro de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 02 (AE) - Os brinquedos perderam espaço na lista das compras familiares e as vendas do setor, entre janeiro e setembro, tiveram o pior desempenho dos últimos anos. Mas esse cenário começa a mudar esse mês com a chegada do Dia da Criança e depois com o Natal. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq) feito com os fabricantes mostra que o consumo nos nove primeiros meses do ano foi 35% menor doque nos últimos três anos.
"O desemprego, as taxas de juros, a mudança do câmbio e a insegurança do consumidor influenciaram nesse resultado", diz o presidente da Abrinq, Synésio Batista da Costa. Mas na avaliação dos fabricantes, o Dia da Criança e depois o Natal vão dar para o setor fôlego suficiente para uma recuperação.
A previsão é faturar, apenas com o Dia da Criança, R$ 325 milhões, o que significa um crescimento, em média, de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A indústria, que faturou no ano passado R$ 781 milhões, deve fechar 1999 com um resultado 5% superior e 230 milhões de brinquedos vendidos, indicando um crescimento, em volume, de 13% em relação a 1998.
A confiança dos fabricantes no desempenho das vendas está baseada em várias estratégias adotadas pelo setor. Segundo Synésio da Costa a indústria investiu R$ 17 milhões em campanhas publicitárias (12% a mais do que no ano passado), está lançando 1.500 produtos e mais de 70% dos brinquedos estão custando até R$ 30,00. Além disso, afirma, os preços estão com queda média de 5,8% em relação ao mesmo período de 98.
O reajuste cambial e a inflação, diz o presidente da Abrinq, ainda não foram repassados ao consumidor. "Não há espaço no mercado para reajustes, mas o aumento das matérias-primas, por causa da alta do dólar, foi de 46,5% para o setor de brinquedos", diz. Parte desse reajuste já foi absorvido pela indústria, explica, mas cerca de 16% deve chegar ao consumidor final nos próximos meses. "Não sei como será o repasse porque todos estão com margens reduzidas e o consumidor não tem aceitado aumentos, mas de alguma forma ele será feito."
Importados - Outro problema para os fabricantes continua sendo o brinquedo quem vem de fora. Mesmo mantendo elevadas as alíquotas de importação - este ano está em 35% - o setor tem enfrentado o aumento da concorrência dos produtos de outros países, principalmente asiáticos.
A importação de brinquedos caiu em 1996 e 1997, voltou a subir no ano passado e deve aumentar ainda mais este ano, na estimativa da Abrinq. Dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior indicam que as importações passaram de US$ 76 milhões em 1997 para US$ 91,5 milhões em 1998. "A estimativa é de que este ano deverão crescer mais 25%", diz o presidente da Abrinq.
O preço médio de um brinquedo trazido da ásia para o Brasil em 1996 era de US$ 1,38. No fim do ano passado (antes da mudança cambial) havia caído para US$ 0,63. Já o contrabando, devido a várias medidas do setor , vem perdendo fôlego. Hoje representa o equivalente a 5% do mercado e é 8,5% menor que no ano passado. Em 1994 chegou a representar 25% do mercado.
O presidente da Abrinq está preocupado especialmente com a atuação da Mattel, maior fabricante de brinquedos do mundo e que tem como destaque de vendas a boneca Barbie. A Mattel opera no Brasil como importadora e vem sendo acusada de praticar preços abaixo do custo para ganhar mercado e eliminar concorrentes. A Abrinq entrou em março deste ano com uma ação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a Mattel.
O diretor de Marketing da Mattel, Marcello Pesce, responde que a empresa tem compromissos de rentabilidade altos e não opera no País da maneira como a Abrinq a acusa. A diretoria da empresa se defende também afirmando que desde que se instalou no País, em março de 1998, vem ampliando os negócios do setor, estimulando a competitividade e criando empregos.


