São Paulo, 31 (AE) - O Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) vai pedir às delegacias das 23 cidades por onde passou o andarilho Laerte Patrocínio Orpinelli, acusado de sequestrar e matar crianças, informações sobre o desaparecimento de 120 menores. A polícia quer saber se existe algum indício que ligue Orpinelli a esses casos. O andarilho, acusado de ser o monstro de Rio Claro, teria confessado 13 homicídios de crianças até 12 anos, que ocorrreram desde 1974 até o ano passado em todo interior do Estado.
Ontem, o delegado Osmar Ribeiro Santos, do DHPP, designado para apurar o caso, esteve em Rio Claro, das 8 às 13 horas, acompanhado de Orpinelli, tentando localizar o corpo de Anderson Jonas da Silva. O menino tinha 6 anos quando desapareceu em Rio Claro em 28 de agosto de 1996. O andarilho levou o delegado até uma região de mata fechada, onde dizia ter deixado o garoto, após tê-lo apanhado em sua casa. No matagal, mais uma vez Orpinelli não soube indicar o lugar correto em que estaria o corpo de Silva. "Temos de tomar muito cuidado com o que ele (Orpinelli) diz", afirmou o delegado.
Irregularidades - Santos assumiu o caso na sexta-feira, quando a polícia de Rio Claro foi afastada por determinação da Delegacia Geral de Polícia. A medida foi tomada porque os policiais daquela cidade estavam permitindo a participação de um informante policial em todas as investigações do caso. O delegado do DHPP, disse hoje, em São Paulo, que retornará a Rio Claro quarta ou na quinta-feira.
Uma equipe de investigadores do departamento permanece na cidade tentando encontrar mais provas que demonstrem ou não a participação do andarilho nos crimes e testemunhas que necessitam ser ouvidas novamente pela polícia. Santos requisitou os seis inquéritos de homicídios que existiam em Rio Claro e nos quais andarilho está sendo acusado. Por enquanto, a polícia dispõe da confissão do acusado e de testemunhas que afirmam tê-lo visto com crianças, que depois, desapareceram. "Nosso trabalho demorará o tempo que for necessário para apurar bem esse caso", disse o delegado.

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