Dezessete menores fogem da Febem em SP; 12 são recapturados14/Mar, 21:12 Por José Gonçalves Neto São Paulo, 14 (AE) - Dezessete menores infratores fugiram do Complexo Tatuapé da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), na zona leste de São Paulo, às 13h10 de hoje. Até o início da tarde, 50 policiais militares conseguiram recapturar 12 fugitivos. Os funcionários da Febem prometem iniciar "paralisações-relâmpago" a qualquer momento. Segundo a Assessoria de Imprensa da Febem, os menores, armados com canivetes e estiletes, dominaram dois monitores responsáveis pela Unidade Especial-12 (UE) e pularam os muros do complexo em direção à Avenida Salim Farah Maluf. Funcionários da Febem disseram que a falta de pessoal estimulou a fuga. Na UE-12, onde estão os internos mais perigosos, haveria apenas três funcionários para vigiar 49 internos, que imobilizaram os monitores. Não houve feridos. Barrados - No fim da tarde de ontem (13) promotores de Justiça da Infância e Juventude pressentiram o problema no Tatuapé e tentaram, sem êxito, visitar a unidade. "Fomos impedidos de entrar por falta de segurança", disse o promotor Wilson Tafner. "Era óbvio que haveria uma fuga." Ele e outros promotores avisaram a direção da Febem sobre o problema, mas não obtiveram resposta. "Os menores estavam agressivos e não permitiram a entrada de uma assistente social", disse Tafner. "Havia apenas dois monitores e um supervisor para controlar a situação." Segundo o promotor, a situação da Febem é alarmante. O principal problema seria a falta de critério na distribuiçãos dos internos. Menores que cometeram pequenos delitos, conta Tafner, são misturados com outros que cometeram crimes mais graves. Ele ainda criticou a demora na execucão de novo modelo pedagógico e de gestão da instituição, anunciado em novembro pelo governo estadual. Procurada pela reportagem, até o início da noite a assessoria da Febem não havia dado resposta sobre as declarações do promotor. Protesto - Pouco antes da fuga, por volta das 9 horas, cerca de 300 funcionários fizeram um protesto em frente da Febem do Tatuapé, na Avenida Celso Garcia, zona leste. Eles reivindicaram melhores condições de trabalho, em especial maior segurança dentro da unidade para conter as seguidas rebeliões e tentativas de fuga. Também reclamaram da falta de funcionários e exigiram a readmissão de 130 monitores afastados da entidade no últimos 30 dias. O presidente do Sindicato dos Funcionários da Febem (Sitraemfa), Antônio Gilberto da Silva, deu um prazo de dez dias para que as reinvindicações da categoria sejam atendidas. Ele prometeu iniciar paralisações-relâmpago. "Não podemos virar saco de pancadas", reclamou. De acordo com Silva, a situação dos funcionários da entidade é "insustentável" . "Não somos respeitados pelos menores e nem pela administração da Febem". "Nossos salários estão baixos e há três anos não temos nenhum reajuste". Ele denunciou que funcionários vêm sendo agredidos por internos e não têm a quem recorrer. Como exemplo, Silva citou o caso de um supervisor que teve a carteira e o relógio roubados por um grupo de cinco menores. "A sociedade tem visto só o lado do meninos e por isso, eles não respeitam mais a gente", disse. O governador Mário Covas ironizou as reinvindicações salariais dos funcionários. "Eles estão reclamando do quê?" Covas admitiu que há falta de funcionários. "Se os novos forem embora, vamos chamar outros; mas não vamos readmitir ninguém que tenha facilitado fugas."

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