Rio, 25 (AE) - Dez toneladas de peixes mortos foram encontradas nas praias da Ilha do Governador (zona norte), na Baía de Guanabara, Rio. A Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) acredita que a causa da mortandade tenha sido a pesca predatória, embora não descarte a hipótese de poluição das águas. Segundo o presidente em exercício do órgão, Paulo Pizão, há grande probabilidade de os peixes - 97% de sardinhas - terem sido pescados para fabricação de farinha e, depois, despejados no mar.
Pizão contou que há fortes indícios de que o caso seja de crime ambiental. "É muito estranho que somente uma espécie tenha sido afetada", disse. Ele explicou ainda que, quando os animais morrem asfixiados, costumam sofrer um derrame no rabo por causa da falta de oxigênio, o que não aconteceu com os que foram encontrados nas Praias da Bica, Galeão, São Bento e Jardim Guanabara. Embora estes locais sejam bastante poluídos normalmente (o banho é desaconselhado), Pizão descarta que tenha sido essa a causa.
As sardinhas eram do tipo conhecido como "boca torta" e mediam menos de dez centímetros - o que torna a pesca crime ambiental. Segundo Pizão, a espécie só serve para produzir farinha e quase não tem valor comercial. "É possível que os peixes tenham sido capturados e, na volta, os pescadores tenham avistado um cardume melhor, então desistiram de levá-los", disse. Os peixes começaram a ser recolhidos pela Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) na tarde de ontem (24), mas hoje ainda havia uma grande quantidade deles nas praias. Muitos estavam mortos havia dois dias.
A Feema divulgou que houve um vazamento de óleo na Praia de Ramos, também na zona norte, há 15 dias, mas não há relação com a morte dos peixes. Oficinas de carro, de conserto de navios e ainda postos de gasolina despejaram óleo nos canais que desembocam no Rio Irajá, mas, de acordo com Pizão, a densidade do derramamento não seria suficiente para matar os animais. "Foi uma boa quantidade de óleo, com grande dispersão, mas não muito espesso", afirmou.
Os estabelecimentos estão sendo monitorados pela Feema. "Ensinamos aos comerciantes que é vantajoso para eles instalar barreiras para separar o óleo, já que eles podem o vender depois", explicou. "Além disso, fazemos um trabalho preventivo para conscientizar as pessoas a não praticar a pesca predatória." Na segunda-feira (27), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai inspecionar o local para descobrir o motivo da mortandade

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