Dez mil funcionários de empresas de ônibus podem ser demitidos
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Uilson Paiva 
São Paulo, 06 (AE) - Cerca de 10 mil funcionários de empresas de ônibus, a maioria motoristas e cobradores, devem ser demitidos a partir de janeiro, segundo o Transurb, sindicato patronal. A medida extrema seria tomada como reação ao fim do subsídio ao sistema de transportes, anunciado pela Prefeitura.
Ao forçar as empresas a manter-se exclusivamente com o que arrecadam com a tarifa, a São Paulo Transportes (SPTrans) previu a redução de até 25% da frota de ônibus que circula na cidade. A medida seria necessária para diminuir as despesas e tornar o sistema economicamente sustentável.
Para os empresários, a diminuição da frota, além de levar a uma perda ainda maior de passageiros para os perueiros, forçará à demissão de funcionários. "Sempre haverá esforços para a manutenção do emprego, mas é a Prefeitura que nos está levando a tomar essa atitude", observou o diretor-jurídico do Transurb, Antônio Sampaio.
Queda - Toda a discussão tem como ponto de partida uma realidade que se acentua a cada dia: a queda do número de passageiros transportados por ônibus na capital. De 160 milhões por mês, em 1990, passaram a 90 milhões/mês, este ano. Empresas e Prefeitura apontam como responsáveis pela queda um inimigo comum - os perueiros. Divergem, porém, sobre a melhor maneira de enfrentá-los. Segundo os empresários, se a fiscalização da Secretaria Municipal de Transportes fosse mais eficiente os passageiros automaticamente voltariam aos ônibus.
Paralelamente à perda dos passageiros para os lotações, cresce a dívida da Prefeitura com as empresas. Segundo a SPTrans
o débito municipal chega hoje a R$ 210 milhões. "Precisamos reagir de alguma forma porque, se continuar como está, a dívida chegará a R$ 600 milhões no fim do ano que vem", afirma o presidente da empresa, Pedro Luiz de Brito Machado.
Negociação - A pressão da Prefeitura sobre as empresas será feita em negociação a ser iniciada nesta semana. O trunfo do Município é o vencimento de 70% dos contratos de concessão, a partir de janeiro. De acordo com a SPTrans, só serão renovados os contratos das empresas que aceitarem o fim do subsídio. Para Machado, existe, sim, a possibilidade de as empresas precisarem demitir. O sindicato dos motoristas e cobradores rebate a previsão. A entidade informou hoje que, se houver redução da frota ou demissões, haverá uma onda de greves.


