Dez ex-policiais são absolvidos no Rio
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domingo, 29 de novembro de 1998
Roni Lima Agência Estado 
Foram absolvidos na madrugada de ontem, por quatro votos a três, dez ex-policiais acusados de participação na chacina de Vigário Geral. A maioria dos jurados entendeu que não havia provas concretas contra eles. A chacina de Vigário Geral causou a morte de 21 moradores da favela, no dia 30 de agosto de 1993. Os promotores do caso, Júlio César Lima dos Santos e Luciano Gonçalves Lessa, recorreram da sentença ainda em plenário. Para eles, o júri não compreendeu os dados técnicos das provas dos autos.
Após o julgamento, os ex-policiais se abraçaram em plenário, alguns chorando de emoção. Seus advogados anunciaram que eles pedirão sua reintegração aos quadros da polícia e pretendem processar o Estado. Os ex-policiais afirmaram que houve falhas nas investigações à época do crime, e querem uma indenização do Estado pelo tempo que passaram na prisão e pelos danos morais sofridos.
Realizado no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o julgamento começou em 15 de abril. Três dias depois, foi suspenso, sendo reiniciado na última segunda-feira. Os dez ex-policiais foram acusados de participar do assassinato dos 21 moradores da favela.
Segundo testemunhas, as 21 pessoas foram assassinadas por cerca de 40 homens - que, em sua maioria, seriam policiais militares -, como vingança pela morte, no dia anterior, de quatro policiais militares por supostos traficantes da favela de Vigário Geral, na zona norte. Para os advogados de defesa Faria Lima e Nélson Soares, as provas apresentadas pelo Ministério Público foram frágeis. Segundo Soares, os dez ex-policiais, apesar de fazerem parte do grupo que teria organizado a invasão da favela, não teriam participado da chacina.


