Dez civis hindus são mortos em ataque na Caxemira
Nova Délhi, 02 (AE-AP) - Supostos separatistas muçulmanos mataram na noite de quinta-feira dez civis hindus em uma aldeia da Caxemira indiana. Esse é o terceiro massacre do tipo na região em quatro dias e os moradores que não fugiram por causa dos violentos combates entre a Índia e os rebeldes temem ser vítimas do ódio étnico dos guerrilheiros que se infiltraram no território himalaio.
O massacre ocorreu em Mendhar, uma aldeia do distrito fronteiriço de Pooch, a 250 quilômetros de Jammu, a capital de inverno da parte indiana da dividida Caxemira. "Um grupo de militantes não identificados invadiu as casas das famílias hindus e matou dez pessoas, entre elas três crianças e uma mulher, enquanto dormiam", informou um porta-voz da polícia. As autoridades indianas acusaram pelos ataques anteriores o grupo Hizbul Mujahedine, que negou sua responsabilidade nos massacres.
Na terça-feira à noite, 15 trabalhadores hindus, no povoado de Sandhu, a 75 quilômetros ao sul de Srinagar, a capital de verão de Jammu-Caxemira, foram mortos também enquanto dormiam e 18 moradores muçulmanos do distrito de Pooch foram massacrados na segunda-feira.
O Paquistão, acusado pela Índia de apoiar os separatistas e de enviar seus soldados à parte indiana da Caxemira para ajudar os guerrilheiros, advertiu Nova Délhi hoje sobre "as sérias consequências" se o conflito pela Caxemira for aprofundado. No entanto, Islamabad também renovou sua oferta de conversações com Nova Délhi e pediu à comunidade internacional que pressione a Índia pelo fim do conflito.
A Índia, que assim como o Paquistão realizou testes nucleares no ano passado, indicou que não acredita que o conflito sobre a Caxemira possa aprofundar-se, pois suas forças estão gradualmente fazendo com que os invasores retrocedam para o outro lado da linha de controle, que divide o território entre os dois países rivais. A Índia e o Paquistão travaram três guerras desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947, duas delas pela Caxemira.
Após mais de sete semanas de combates, os soldados indianos estavam prestes a retomar um pico estratégico na Colina do Tigre
na região de Drass, de cerca de 60 guerrilheiros muçulmanos. Os indianos destruíram hoje com mísseis portáteis Milan várias fortificações dos rebeldes escavadas nas montanhas por onde passa a única estrada da região. Fontes militares disseram que uma grande quantidade de armas foi apreendida e asseguraram que foram interrompidas as linhas de fornecimento das posições guerrilheiras na Colina do Tigre.
A aviação e a artilharia indiana lançaram hoje intensos bombardeios no norte da Caxemira. Segundo fontes militares, esses bombardeios são a primeira etapa de uma ofensiva terrestre programada para o fim de semana. Essa ofensiva, disseram as mesmas fontes, deverá ter um efeito decisivo após várias semanas de combates. O ofensiva terrestre, que deverá ser iniciada hoje, compreenderá pelo menos três batalhões, ou seja, cerca de 3 mil homens. O principal ataque deverá ser realizado a partir de um pico vizinho, o Ponto 5.100, reconquistado pelo Exército indiano na segunda-feira.





