Porto Alegre, 28 (AE) - Dez rodovias federais estavam bloqueadas hoje (quarta-feira) para o trânsito de caminhões pelos caminhoneiros em greve no Rio Grande do Sul. Havia piquetes em, no mínimo, 17 pontos das Brs. "Quase todas estão trancadas. E o movimento está ficando mais forte", avaliou hoje o policial Marco Scrinz, do plantão central da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado. As rodovias interrompidas para caminhões com carga eram as BRs 287, 470, 101, 386, 116, 481, 285, 468, 392 e 158. Apenas nas Brs, a PRF calculou a soma dos caminhões nos piquetes alcançava 3,5 mil veículos.
A maior concentração de caminhões parados era registrada nas imediações de Três Cachoeiras, no Litoral Norte do Estado, perto da fronteira com Santa Catarina. Calculava-se que três mil caminhões e carretas estavam distribuídos entre os postos de serviço da região, cortada pela BR-101. As barreiras, porém, deixavam circular ônibus e veículos de passeio.
Concentração na Metade Norte - Uma das estradas mais vigiadas pelos grevistas era a BR-116, com cinco barreiras, desde o Sul do Estado até o Nordeste gaúcho. Havia piquetes perto de Pelotas, Camaquã, Caxias do Sul, São Marcos e Vacaria, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Na BR-386, o protesto acontecia em Seberi, Sarandi e Soledade, região do Planalto Médio.
Outros lugares com interceptação dos manifestantes eram Carazinho (Brs 158 e 285), Ijuí (BR-285), Porto Xavier (BR-392), Lagoa Vermelha (BR-470), Santa Maria (Brs 287 e 481) e Sarandi (BR-468). "Eles (os caminhoneiros) concentraram seus piquetes na metade Norte do Estado, já que os trechos das estradas federais no Sul tem pouca movimentação de cargas. Com isso, impediram a entrada de caminhões do resto do Brasil", comentou Scrinz.
Nas estradas estaduais, a manifestação era mais intensa na RS-135 (arredores de Coxilha, com 140 caminhões), RS-324 (em Getúlio Vargas e Passo Fundo, com 180 caminhões), RS-344 (180 caminhões nas imediações de Ijuí e Giruá) e RS-569 (Palmeira das Missões, com 120 caminhões).
Foram também montados piquetes na RS-168, junto a Roque Gonzalez, RS-155, em Santo Angelo. "Na RS-344, o tráfego, inclusive de automóveis, chegou a ficar totalmente interrompido por duas horas mas depois liberado", informou o cabo Sérgio Ribas, do plantão da Polícia Rodoviária Estadual.
"Cada dia o quadro piora" A greve está afetando, por exemplo, os frigoríficos que abatem suínos. Eles completaram hoje três dias sem receber animais para abate ou enviar ração para os criadores que produzem os leitões em parceria com a indústria. "Cada dia o quadro piora mais", descreveu o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos/RS, Rogério Kerber. O Frigorífico Prenda, de Santa Rosa, na região das Missões, abateria hoje 500 suínos em vez dos 1,7 mil habituais. Como a carne não pode deixar o frigorífico, cria-se outro problema: as câmaras de estocagem estão ficando lotadas. "Desde segunda-feira, não consigo enviar um quilo para fora da indústria", exagerou. "As demais empresas do setor vivem o mesmo problema", comentou. O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor de carne suína do país. Abate 3,2 milhões de cabeças/ano, o que representa 27% do total nacional.

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