Londrina - Implantadas em 2005, as cotas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) entram em seu décimo ano de existência com uma média de 6,8% de negros no total de alunos aprovados pelo sistema. Muitos negros, no entanto, não precisaram da reserva de vagas para entrar na universidade, uma vez que conseguiram desempenho suficiente para obter aprovação pelo sistema universal.
A forma de destinação das vagas, que passou de proporcional ao número de inscritos a uma quantidade fixa, também contribuiu para a redução do número de estudantes enquadrados nos critérios do sistema aprovados no vestibular. Atualmente, 40% das vagas de cada curso são destinadas a alunos de escolas públicas e metade delas, a negros. A UEL foi a quarta instituição do Brasil a implantar o sistema de cotas.
Segundo a diretora de Apoio a Ação Pedagógica da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), Maria Helena Guariente, com a mudança na proporção das cotas, em 2011, a expectativa era de que mais negros se inscrevessem e que mais negros entrassem. "É importante destacar, no entanto, que, neste período, o número geral de inscritos também caiu. Um dos motivos são as inúmeras possibilidades de ingresso nas universidades como Prouni, Fies, Enem e Sisu, o que pulverizou a distribuição dos alunos", pontua.
Porém, tão importante quanto o número de ingressantes, são a taxa de permanência nos cursos e o desempenho obtido. "Mesmo tendo notas pouco mais baixas no vestibular, essa dificuldade desaparece durante o curso, já que todos aprendem o mesmo conteúdo", garante.
Um levantamento mostra que, em 2005, enquanto alunos do primeiro ano do sistema universal obtiveram nota média de 8,3; negros obtiveram 8,1 no curso de Medicina. "Esses índices quebraram o estigma de que os alunos cotistas não conseguiriam acompanhar o curso em razão da fragilidade de seus conhecimentos, pois estariam sendo privilegiados pelas cotas."
Avaliação
Programas de inclusão social e projetos de iniciação científica com bolsas de estudo colaboraram para a permanência desses estudantes. O problema é que muitos deles foram extintos ou não dão conta da demanda atual. Para o professor do Departamento de História, Jairo Pacheco, que foi pró-reitor de Graduação entre 2003 e 2006 e um dos principais responsáveis pela implantação das cotas na UEL, o sistema mostrou-se eficiente, mas, agora, o grande desafio é fazer que ele continue funcionando. "Ainda que mais negros tenham entrado na universidade nos últimos dez anos, esse número é baixo; precisamos aumentar o número de negros tentando uma vaga", resume.
Para ele, seria preciso, portanto, um olhar sobre o gargalo que separa o ensino médio do superior. "Tem de haver um trabalho de motivação maciço aos adolescentes para que eles saibam que são capazes de cursar uma universidade pública. Porém, mais importante ainda é melhorar as condições desse aluno em chegar a disputar uma vaga e obter nota mínima. Senão, o subaproveitamento de vagas vai continuar", analisa Pacheco.
Com relação à implantação do sistema, o professor acredita que houve a construção de um consenso de que a mudança foi um caminho certeiro, pois é preciso haver uma compensação para diminuir as desvantagens existentes. "Todos os índices negativos são altos na população negra. Temos o dever de mudar essa realidade. Só ganhamos com a pluralidade que se apresenta no ensino superior", avalia. Para essa mudança, contudo, Pacheco reitera a necessidade de programas de inclusão. "Não existe inclusão sem apoio. Esse jovem precisa de condições dignas de moradia, de deslocamento, de alimentação e até mesmo de material didático."

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