Genebra, 06 (AE-ANSA) - Cerca de 100 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza nos países que formavam a ex-União Soviética, como consequência das apressadas políticas de transição e da economia de mercado, informa um estudo divulgado hoje (06) pelas Nações Unidas em Genebra.
O documento revela que desde 1990, cerca de 10 milhões de pessoas morreram por causa do alcoolismo, a dependência de droga e pelo suicídio.
O estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP) sobre as ex-repúblicas soviéticas e o Leste Europeu revela também que toda a região foi afetada por um aumento vertiginoso da pobreza, do desemprego e da criminalidade, paralelamente a uma diminuição da qualidade dos serviços sociais.
Um dos dados mais alarmantes constantes no documento é a situação da infância na Polônia, onde 60% das crianças sofrem por desnutrição.
Em numerosos países da região, o número de abortos supera o de nascimentos enquanto as pessoas que vivem com menos de quatro dólares ao dia aumentaram de 4% para 32% em dez anos.
O estudo revela ainda o fenômeno da insegurança psicológica sofrida por milhões de pessoas por causa da transição política e econômica. Entretanto, segundo a ONU, em alguns países, como a República Checa, Hungria ou pertencentes aos Bálcãs (Estônia, Letônia e Lituânia), são observados consideráveis progressos na transição à economia de mercado.
Mas enquanto a liberalização produziu efeitos positivos, a transição política caótica provocou uma queda gigantesca nos investimentos diretos, um vertiginoso aumento da inflação, o empobrecimento de uma ampla fatia da população e a explosão de atividades ilegais.
A criminalidade vinculada às drogas quadruplicou-se na Rússia entre 1991 e 1996, enquanto que 50% dos funcionários búlgaros pesquisados pelo UNDP se declararam dispostos a aceitar subornos.
O mercado negro de bens, drogas e pessoas se converteu na principal fonte de renda para os excluídos da economia "formal" do Leste Europeu.
A economia informal representa 25% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de toda a riqueza produzida por um país) e 40% do da Iugoslávia, Armênia e Macedônia.
O UNDP pronunciou-se a favor da adoção de políticas favoráveis ao desenvolvimento e ao investimento nos recursos humanos na região pesquisada.
Uma outra revelação do estudo da ONU é motivo de preocupação para o lado rico da Europa. Cerca de 850.000 pessoas deixam os ex-países comunistas europeus a cada ano à procura de uma vida melhor.
"Quando democracia equivale à miséria certamente ela se transformará em desilusão, com muitas outras sociedades voláteis a caminho", afirma o documento da ONU.

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