Recife, 02 (AE) - Emocionados, chorando e acenando com chapéus de palha, milhares de devotos do Padre Cícero Romão participaram hoje da "missa da despedida", que marcou o fim da romaria que durou cinco dias e se realiza há 110 anos em Juazeiro do Norte, no Ceará.
O celebrante da missa, realizada ao meio-dia, na Matriz da cidade, padre Murilo Sá Barreto, pediu aos fiéis, durante o sermão, que pressionem os deputados federais dos seus Estados para que lutem pela liberação dos caminhões paus-de-arara como transporte alternativo dos sertanejos. "Não podemos ser contra o Código Nacional de Trânsito, mas ele não pode ser contra as manifestações populares", afirmou ele, ao observar que a maioria dos romeiros não tem outra opção a não ser infringir o Código ao usar esse meio de transporte.
O pau-de-arara foi o transporte mais utilizado pelos devotos que vieram de todo o interior nordestino visitar a casa onde viveu o padre Cícero, seu túmulo na Capela de Nossa Senhora do Socorro e a estátua de 25 metros em homenagem ao religioso na Chapada do Horto. A romaria atraiu mais de 300 mil visitantes, de acordo com estimativa da Igreja local.
Os romeiros participaram de procissões, missas, agradeceram bênçãos concedidas e pagaram promessas. Muitos se vestiram com mortalhas, andaram ajoelhados, carregaram pedras nas cabeças. Na missa da despedida, eles levaram imagens do padre Cícero, terços, fitas e água para serem bentos.
O padre Cícero é considerado santo milagreiro pelo povo do sertão desde 1889, quando, durante a celebração de uma missa, a beata Maria Araújo supostamente não conseguiu engolir a hóstia porque esta havia se transformado em sangue. O fenômeno foi contestado pela Igreja, mas o povo acreditou ter se tratado de um milagre e daí tiveram início as romarias. Padre Cícero Romão foi morar em Juazeiro do Norte em 1872 e morreu em 1934.

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