Devolução do cargo é presente de aniversário para FHC
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 18 (AE) - O delegado João Batista Campelo entregou hoje seu cargo de diretor-geral da Polícia Federal como presente ao presidente Fernando Henrique Cardoso. "Este será o meu presente de aniversário ao presidente", disse Campelo ao deputado federal Elton Rohnelt (PFL-RR). Para o amigo Rohnelt, Campelo fez um desabafo sobre o "inferno" que tem vivido desde a indicação do seu nome para comandar a Polícia Federal. Ele lembrou que no depoimento prestado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, na quinta-feira, não havia nenhuma liderança da base aliada para defendê-lo ou prestar solidariedade por conta das denúncias de que participou de atos de tortura nos anos 70. Também pesou na sua decisão, a posição oficial do PSDB que nesse mesmo dia havia pedido sua demissão imediata. "Ele estava se achando muito pressionando", revela Rohnelt.
Para um outro interlocutor, Campelo reclamou da "humilhação" no dia da posse, quando o ministro da Justiça, Renan Calheiros, evitou qualquer aproximação e fez um discurso de pouco mais de 10 segundos. "A família e os amigos me pediram muito para eu sair do governo", disse Campelo.
No final da manhã de hoje, já havia uma certeza dentro do governo: a demissão de Campelo não passaria desta sexta-feira. O delegado vinha recebendo acenos do Palácio do Planalto de que o seu pedido de demissão seria bem mais confortável do que o presidente Fernando Henrique ter que tomar a iniciativa. A princípio, o próprio Campelo chegou a reagir. "Renunciar é assumir a culpa; se o presidente me colocou nessa furada ele que assuma o desgaste de me colocar para fora", disse no final da manhã para um amigo. "Eu estava muito tranquilo em Roraima e não precisava passar por isso", completou. Mas à tarde Campelo mudou de idéia. Ele atribui seu desgaste ao "grupo de Alagoas"
integrado pelo senador Teotônio Vilela e o ministro Renan. "Alagoas sempre se insurge quando a nomeação de diretor da PF é técnica, afinal lá tem muitos crimes federais para investigar que estão parados", disse Rohnelt, para defender o amigo Campelo.
Comemoração - Dentro do governo a decisão de Campelo foi comemorada. "Foi sensato da parte de Campelo o pedido de demissão em função do que avaliamos na quinta-feira sobre a sua situação", disse o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL). "Ele estava sem condições políticas de permanecer no cargo", completou o senador tucano. No dia anterior o próprio Teotônio havia pedido a cabeça de Campelo como um recado explícito para pressionar o delegado a tomar uma decisão. Assessores próximos do presidente avaliaram que seria muito ruim que houvesse mais um episódio negativo neste caso, que já vêm se arrastando desde a saída de delegado Vicente Chelotti do cargo, em fevereiro desse ano.
A indicação de Campelo foi bancada pelo chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso. "O general só pensou tecnicamente na indicação, e esqueceu da repercussão política da nomeação de uma pessoa com o passado de Campelo", explicou um assessor do Planalto.


