Porto Alegre, 14 (AE)- A devolução de uma carga de 27,5 mil toneladas de milho supostamente transgênico, importada dos Estados Unidos pela Perdigão Agroindustrial, de Santa Catarina, alertou as autoridades gaúchas para o risco de ingresso de produtos modificados no Rio Grande do Sul. Depois da notícia, divulgada na semana passada, o governo já admite a possibilidade de ampliar o controle sobre as compras no exterior feitas pelas indústrias locais de aves e suínos.
O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, informou que o Estado importou, desde o início de janeiro, 20 mil toneladas de milho da Argentina. Por força de um acordo firmado com o governo em outubro passado para obter diferimento de ICMS (pagar o imposto só na venda final do frango ou suíno) na operação, as indústrias importadoras apresentam certificados emitidos pelos fornecedores garantindo que a carga não é transgênica. Além disso, amostras do produto ficam depositadas na Emater-RS, disse Hoffmann.
"Em cima da notícia de Santa Catarina já temos razões para estudar a possibilidade de analisar as amostras", comentou o secretário. Na opinião dele, o Rio Grande do Sul está, "a princípio", mais resguardado do que o Estado vizinho em relação ao ingresso de milho transgênico. "Mas pode entrar por Santa Catarina", alertou.
A análise, entretanto, depende do levantamento de custos e instituições capacitadas, revelou Hoffmann. Segundo ele, a operação exige análise de DNA, um proceso mais caro e complexo e não pode ser realizada com os kits adquiridos pela secretaria para examinar as sementes e lavouras de soja no Estado.
O diretor de insumos da Associação Gaúcha de Avicultuta (Asgav), Carlos Hugo Konzen, disse que a Argentina tem disponibilidade de 9 milhões de toneladas de milho para exportação. De acordo com ele, entretanto, o ritmo das importações a partir do País vizinho está caindo neste momento, quando a safra gaúcha começa a entrar no mercado, aumentando a oferta local.

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