São Paulo, 28 (AE) - Cerca de 400 mil pessoas visitaram o Santuário de São Judas Tadeu, no Jabaquara, em São Paulo, hoje
dia do santo das causas perdidas. O número, estimado pelos organizadores, supera em mais de 10% o total de visitantes que o santuário recebeu no dia 28 do ano passado. "Nos últimos três anos, o número de visitantes nesse dia vem crescendo constantemente, numa relação direta com a crise econômica", disse o padre da paróquia, Juarez Castro, lembrando que emprego - para si, para familiares ou amigos - é o pedido mais frequente que os devotos fazem hoje a São Judas.
"Percebemos isso claramento conversando com os voluntários que ficam no porão da igreja atendendo o público", diz o padre, lembrando que nesse espaço há um plantão de orientação familiar e cerca de 50 padres disponíveis o dia todo para ouvir confissões. É esse o caso da faxineira aposentada Maria das Dores Alvarenga Dias, de 73 anos, que enfrentou duas horas de ônibus desde a zona leste para pedir a São Judas emprego para os netos. "Meus filhos até que estão se virando, mas os netos que são jovens não arrumam emprego de jeito nenhum e estão precisando muito", conta, dizendo-se, porém, confiante na força do santo.
"O primeiro emprego da minha filha foi São Judas que arrumou, depois, quando ela estava por ser mandada embora, rezei para ele não deixar e ela se aposentou no emprego". A violência seria outra grande preocupação que os devotos vêm compatilhar com São Judas: "Muitos pedem paz para a família, isso é uma preocupação crescente", lembra padre Elói José Schons, vice-pároco da igreja. Fiéis - Os primeiros fiéis chegaram ao santuário por volta das 3 horas da madrugada, para esperar até as 5 horas, quando foram abertas as portas da igreja. No meio da tarde, a fila para passar na frente do santo já dava uma volta no quarteirão e fazia cinco voltas na rua de baixo. Nesse horário, o vendedor Raúl Ortega, desempregado há um ano, enfrentou mais de duas horas de fila para pedir um emprego.
Como todos os anos, os mais fervorosos subiam as escadas e passavam diante do santo de joelhos, enquanto outros estavam vestidos de São Judas. Centenas de pessoas acompanharam, nos vários espaços do santuário, missas, celebrações e bênçãos que foram realizadas ininterruptamente desde as 5 da manha até as 18 horas. Às 19 horas haveria a procissão e às 20, show de música. Mais de mil voluntários trabalharam nas atividades da festa.
A cerca de 400 metros do santuário, na saída do metrô, devoção religiosa e crise econômica combinavam-se de maneira mais prosaica: ali alguns ambulantes vendiam por R$ 1 o jornal da paróquia e o livrinho com a vida do santo, que são de distribuição gratuita. "Estamos alertando durante as celebrações, mas a venda ocorre antes de eles chegarem aqui", disse o padre Castro.

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