'Devastador, pior do que imaginávamos'
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segunda-feira, 02 de outubro de 2006
Das agências 
Novo Progresso, PA - Não há sobreviventes do acidente do Boeing 737-800 da Gol, que caiu na última sexta-feira, na floresta amazônica, no município de Peixoto de Azevedo, na divisa entre os Estados do Pará e Mato Grosso. O acidente aconteceu após o Boeing se chocar no ar com um jatinho Legacy, da Embraer. A informação foi dada ontem pelo brigadeiro Jorge Kersull Filho, da Aeronáutica, que comanda as operações de buscas.
'Retardamos essa notícia em respeito às famílias, mas o acidente foi devastador, pior do que qualquer um de nós imaginava'', disse o brigadeiro. Kersull deu a informação a uma comissão de familiares das vítimas que sobrevoou ontem o local onde o aparelho caiu e pôde constatar as dificuldades do trabalho de localização dos corpos.
Caixas-pretas - As equipes de buscas encontraram ontem a cauda do avião, com as duas caixas pretas e dois corpos bastante mutilados nas proximidades. A mata é fechada, com árvores de 30 a 50 metros, e muito úmida - diversos córregos e rios cortam a área, no entorno da reserva indígena do Xingu.
Em outro local foram encontrados mais corpos, mas os peritos não sabem dizer quantos, tão deplorável é o estado em que se encontram. ''Não dá para dizer quantos são'', disse o legista Aluísio Trindade, do Instituto Médico Legal (IML) de Brasília, que coordena o trabalho de identificação das vítimas.
As caixas-pretas já estão em Brasília para perícia. Uma, em bom estado, contém os registros de voz da cabine do avião, onde ficam o comandante e o co-piloto, que se comunicam com a tripulação. Estão gravados nela os momentos finais, de dez ou 15 minutos, antes do choque entre os dois aparelhos até a queda do Boeing. A outra contém os dados do vôo, como velocidade e altitude.
Os quase cem homens das equipes de resgate das vítimas estão encontrando dificuldades de toda ordem para localizar os corpos. O avião, aparentemente, começou a se desintegrar alguns minutos antes da queda da parte principal, com a cabine, partes da asa e do eixo central. Por isso há corpos espalhados num raio que pode se estender de 20 a 30 quilômetros.
Para preservar o local de impacto o máximo possível, 20 homens, entre os mais treinados do esquadrão Parasar, elite da Aeronáutica especializada em busca e resgate, dormiram na mata. Além das buscas, eles protegem os corpos dos ataques de animais.
As primeiras análises da Aeronáutica levam à suposição de que alguns passageiros, sobretudo os que estavam sem cinto de segurança, podem ter começado a cair logo após o choque com o avião menor, o Legacy, fabricado pela Embraer e pilotado por americanos, que fazia a mesma rota, em sentido contrário. ''Faremos o possível para encontrar todos, mas há a possibilidade real de não encontrarmos alguns ou vários'', lamentou o brigadeiro.
Integrantes da equipe de resgate estimam que devem ser identificados no máximo metade do total de mortos - 149 passageiros e seis tripulantes. Nesse caso, será feito um enterro simbólico, coletivo. No domingo foram localizados dois corpos, bastante mutilados, de um homem e uma mulher.
À tarde, foi localizado outro local com vários corpos. A Aeronáutica desocupou a área da fazenda Jarinã, perto do local da queda, onde as equipes de buscas montaram uma estrutura para receber os corpos das vítimas, embalá-los e enviá-los para a base aérea da Serra do Cachimbo, de onde serão levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Brasília, para identificação. Por suas características e número de vítimas, o acidente foi o mais grave da história da aviação brasileira.


