Devastação tem origem
no modelo econômico
O declínio dos ecossistemas no Brasil está expresso nos 93% de florestas derrubadas na Mata Atlântica, na rápida degradação do Cerrado, nos 15% da Floresta Amazônica perdidos em apenas três décadas, na falta de água nos grandes centros urbanos do País, que mais possui água doce no mundo.
De acordo com os dados divulgados este mês pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre as décadas de 70 e 90, a Amazônia perdeu 551 mil quilômetros quadrados de florestas. Só em 1998 foram 17.383 quilômetros quadrados, um aumento de 31,4% em relação a 1997 e equivalente a mais de oito vezes a mancha urbana da Região Metropolitana de São Paulo.
No Cerrado, até pouco tempo considerado naturalmente reservado para a expansão agropecuária, as alterações provocadas pelo homem atingem 78,4% da área. A ponto desse ecossistema já figurar, junto com a Mata Atlântica, na relação dos 25 Hotspots mundiais, áreas prioritárias para conservação da biodiversidade, porque extremamente ameaçadas, segundo a Conservation International (CI). Com 44% de espécies de plantas e 30% dos anfíbios endêmicos (que só são encontradas nesse região), o Cerrado é onde a fronteira agrícola caminha em rítmo mais acelerado. A bacia dos rios Araguaia e Tocantins são as mais ameaçadas, com os projetos de hidrovia e dez barragens.
Tudo isso é consequência de um modelo de desenvolvimento econômico, implantado desde a colonização, que deu origem ao ‘‘solo descartável’’, como define João Paulo Capobianco, coordenador do Instituto Socioambiental, ISA. ‘‘Embora existam mudanças concretas nesse pensamento arraigado, como a Lei de Crimes Ambientais que desde o ano passado criminaliza a degradação, a única dúvida é se vai dar tempo para reverter a situação’’, diz Capobianco.
Para a secretária de Coodenação da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Mary Allegretti, ‘‘as políticas ambientais começaram a ser implementadas pelos países desenvolvidos num contexto de escassez de recursos naturais e ocupação territorial consolidada, que não se aplica a países com abundância de recursos e conflitos sobre o direito à propriedade como o Brasil. Por isso a legislação ambiental brasileira, embora avançada, não consegue a eficácia necessária’’.

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