Devastação da natureza em rítmo acelerado
A continuar o atual ritmo de devastação da natureza, dentro de 50 anos um quarto das espécies vivas de animais e plantas estarão extintas. Uma das áreas onde essa perda é mais acentuada é a Mata Atlântica brasileira. O anúncio feito pela União Mundial para a Natureza, órgão internacional cuja sigla em inglês é UINC, com 10 mil membros de 181 países, entre governos e organizações não-governamentais (ONGs), não surpreendeu seus membros brasileiros. Tanto o governo quanto as ONGs reconhecem a gravidade da situação, cujos dados foram repassados à UINC por pesquisadores daqui. A maior causa de extinção das espécies é o aumento populacional e o Brasil é um dos campeões neste item, como demonstrou o último censo, justifica a chefe do Departamento de Vida Silvestre do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Iolita Dampi.
E, dentro do Brasil, a Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos, mas também mais afetados, desde o descobrimento. É só olhar o mapa e ver onde se concentra o maior número de cidades. O Brasil tenta evitar essa devastação, com legislação restritiva e outras ações, mas esta é uma realidade da qual não podemos fugir.
Segundo Iolita, um dos principais instrumentos de ONGs e do governo para evitar a devastação da natureza são os censos de animais e as listas dos que estão em extinção. A partir esses dados, estabelecemos as políticas para o setor. Atualmente, estamos revendo nossa lista de animais em extinção, porque a última data de 1989 e, nesse período, descobriram-se novas espécies e aumentou o risco para outras. A lista atual tem 207 espécies e o número deve dobrar, pois há animais que já foram descobertos em extinção, conta ela. Estes dados serão repassados à UINC, uma espécie de ONU do meio ambiente, cuja particularidade é unir governos, pesquisadores e ONGs. Aqui no Brasil, temos 14 membros e o Ibama representa o governo federal.
A elaboração da lista será feita em conjunto com a Fundação Biodiversitas, de Belo Horizonte, que levantou a fauna mineira em 1995, e com a Sociedade Brasileira de Zoologia. A atual lista do Ibama, na verdade uma portaria do Ministério do Meio Ambiente, não será o único ponto de partida.
Para a elaboração da nova lista, foram constituídos os grupos de trabalho, que terão subdivisões de acordo com o tipo de animal, seu hábitat, alimentação, etc. Serão quatro categorias. Quanto ao risco: provavelmente extintos, criticamente em perigo de extinção, em perigo extinção e vulneráveis. Quanto à espécie, serão seis grupos: mamíferos, répteis, aves, anfíbios, peixes e invertebrados, cita Iolita.
Estes grupos terão subclassificações de acordo com suas características. Os mamíferos, por exemplo, serão classificados em carnívoros (caso da suçuarana), primatas (os micos), marsupiais (o gambá) etc. As aves serão divididas pelo ecossistema em que vivem, ou seja, aves da caatinga, do cerrado, etc.
Devido à enorme diversidade da fauna brasileira (acredita-se que metade das espécies existentes no mundo ocorrem só na Amazônia), cada subgrupo seguirá uma metodologia diferente. O número de ocorrências na natureza, as modificações de seu hábitat, a facilidade ou dificuldade de reprodução são alguns dos critérios. Todos os animais da Mata Atlântica, por exemplo, correm algum tipo de risco, explica Iolita. Mesmo quando aparentemente há superpopulação, como é o caso do mico-leão-dourado, há risco. Na verdade não há excesso de indivíduos da espécie e sim falta de espaço para eles.
Os pesquisadores, no entanto, raramente irão a campo para fazer a pesquisa. Vamos consultar especialistas em cada espécie e apurar o que eles observam, adianta a coordenadora de projetos da Biodiversitas, Lívia Lins.
Ela explica que quatro fatores interligados dificultam o estudo da fauna brasileira: a quantidade de espécies é muito grande, os estudiosos são poucos, assim como o dinheiro para pesquisas. Tudo isso é agravado pela pouca circulação de informação.
Apenas quatro Estados, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, têm sua fauna catalogada, mas essa informação não está disponível para todos os pesquisadores, comenta Lívia. E há casos de animais praticamente extintos numa região, mas abundantes em outras. Isso acontece com a anta, por exemplo, que é rara em Minas, mas é comum no Pará e Estados próximos.





