Londrina - De uma família extremamente católica, Nelsa Beloni comemora 45 anos de casamento com Carlos Klein, presbiteriano que, inclusive, já foi pastor. ''No início do namoro, meus pais achavam que a relação não iria dar certo porque sempre fui muito assíduo da igreja. Mas estamos aqui para provar que é possível'', conta Nelsa. Segundo ela, nunca houve nenhuma tentativa de conversão por parte do marido para que mudasse de religião. ''Minha sogra acreditava que um dia eu mudaria.''
Para o marido, a convivência entre o casal é tranquila por serem de religiões de doutrinas cristãs. ''Digo que não somos de religiões diferentes, mas de denominações devocionais diferentes. O fundamento baseado no cristianismo é o mesmo'', argumenta. Apesar disso, a cerimônia de casamento foi realizada na igreja católica, por um padre. ''Naquela época, não havia celebração ecumênica. Então, não me opus a ela, até porque sempre me dei bem com os padres'', conta.
Tudo, entretanto, foi previamente acordado. ''Quando pedimos autorização do casamento para o bispo, já definimos como seria a educação dos filhos. Dissemos que iriam conhecer as duas religiões e, quando mais velhos, escolheriam em qual participar'', lembra Nelsa. E isso foi feito. Os filhos foram batizados na igreja católica e, durante a infância, estudaram catequese. ''Mas também frequentavam os cultos na igreja presbiteriana'', diz Klein. O filho permaneceu na presbiteriana e a filha mais velha, na católica.
Questionados como lidariam caso o parceiro tivesse um religião muito diferente e não-cristã, Nelsa é mais reticente. ''Acho que seria menos pacífico e, talvez, não daria certo.'' Já Klein, lembra de uma citação de Martin Lutero para dizer que, mesmo com alguns atritos, não acha que seria impossível. ''Se há amor entre uma muçulmana e um cristão, pode haver matrimônio. Deus sempre irá abençoar uma união na qual exista amor. E é isso que sempre tentei repassar aos meus filhos.'' (M.T.)

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