Maceió, 19 (AE) - Os recursos arrecadados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AL) em 1998 com o pagamento de multas e do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) foram desviados para a compra de bicos de mamadeiras, urna mortuária, flores, uréia, bandeja de cristal, carregador de celular, tratamento odontológico, aluguel de veículos e trio-elétricos, ligações para o tele-sexo e o vidente Walter Mercado.
Essas informações foram apuradas pela Auditoria Geral do estado, que analisou, por amostragem, os gastos do DETRAN/AL e constatou inúmeras irregularidades, como pagamentos com notas frias, gastos exorbitantes com passagens aéreas e diárias. O relatório da auditoria foi publicado no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (16). Com base nele, o procurador-geral de Justiça, Lean Araújo, vai instaurar um inquérito civil público para apurar a responsabilidade pelos desmandos administrativos.
Ao tomar conhecimento da publicação do relatório, o ex-diretor geral do Detran/AL, coronel PM Jorge Coutinho, que dirigiu o órgão de janeiro de 95 a dezembro de 98, disse que precisaria analisar melhor o documento para depois se pronunciar. Segundo um dos assessores de Coutinho, as maiores irregularidades foram praticadas pelas Ciretrans, nas cidades do interior do Estado. Um dos diretores envolvidos, que trabalhou na época de Coutinho, continua na direção do Detran/AL.
Segundo o relatório, assinado pelos técnicos de controle interno Aníbal Barros de Oliveira e Carlos Alberto da Silva, em 1988, o Detran/AL gastou R$ 234.102,90 com passagens aéreas. Entre as irregularidades está um processo em que a empresa Iate Turismo (que pertence ao ex-superintendente do Sebrae/AL, Antônio Marinho), recebeu R$ 14.777,27 pelo fornecimento de 18 passagens com itinerário diferentes, beneficiando um grupo de pessoas estranhas ao Detran/AL.
De acordo com o atual diretor-geral do Detran/AL, José Brandão Vieira, as folhas de pagamento foram excluídas do sistema pela equipe anterior. Restou apenas a folha de pagamento do mês de dezembro de 98, tanto dos cargos em comissão quanto os serviços prestados. As oscilações salariais dos 22 detentores de cargos de chefia chamaram a atenção dos auditores. O salário do ex-diretor-geral, Jorge Coutinho, variou de R$ 3.921,00 a R$ 7.868,00.

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