Detran-PR quer legalizar motoboys
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Hoje apenas 3,5% dos 80 mil motoboys do Paraná têm carteira de trabalho assinada. De acordo com dados do Detran-PR, dos 35.888 acidentes que ocorreram de janeiro a outubro de 2007 no Estado, 57% envolviam motociclistas. Para tentar minimizar esta realidade, a Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social e o Detran-PR lançaram ontem a campanha conjunta ''Trabalho sem carteira assinada não é legal''.
O Detran pretende realizar um trabalho específico com os motoboys que acabam ficando desamparados depois de acidentes por não terem registro em carteira de trabalho. De janeiro a outubro do ano passado, ocorreram 20.339 acidentes com motos que resultaram em 16 mil motociclistas feridos e 247 mortos no local do acidente.
No ano inteiro de 2006, o número de acidentes com motos foi menor que no período de janeiro a outubro de 2007. Foram registrados 20.137 acidentes, em 2006, com 16.428 feridos e 227 mortos.
Em 2005, os números foram ainda um pouco menores: 19.514 acidentes com moto, 15.057 feridos e 211 mortos no local do acidente. Estas comparações apontam como o número de acidentes envolvendo motos tem aumentado nos últimos anos. Em 2007, a frota de motos do Paraná era de 759.033.
O diretor geral do Detran-PR, coronel David Antônio Pancotti, disse que a campanha pretende conscientizar o setor da importância da assinatura da carteira de trabalho para que os motoboys tenham cursos de capacitação e as empresas possam interagir com os órgãos de trânsito. ''Queremos saber quem é a pessoa que está conduzindo a moto e se está habilitada'', disse.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Condutores de Veículos, Motonetas, Motocicletas e Similares de Curitiba e Região Metropolitana, Tito Mori, disse que há interesse por parte dos empresários de ter os trabalhadores atuando na informalidade. ''A falta da carteira assinada pode ser uma faca de dois gumes para o empresário em situações nas quais ocorre um acidente, por exemplo'', alertou.
Com o registro em carteira o trabalhador tem direito a auxílio-doença, aposentadoria, salário-maternidade, pensão por morte, auxílio-reclusão, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e seguro-desemprego.


