Detidos militares russos investigados por massacre na Chechênia
Moscou, 24 (AE-AP) - Dezoito militares (oficiais e soldados) foram detidos como parte da investigação da matança de 41 civis e de saques pelo Exército russo durante a conquista da aldeia chechena de Alkhan-Yurt, no início do mês. A informação foi dada pelo empresário checheno pró-russo Malik Saidulayev à agência russa Interfax. Saidulayev é o chefe do governo criado no exílio com o apoio dos russos. A Interfax acrescentou que a cúpula militar não comentou as declarações do empresário.
O Ministério da Defesa continua assegurando que os soldados russos atuaram de "maneira adequada ao responder com artilharia e disparos de tanques a ataques dos rebeldes no momento que as tropas entraram no vilarejo". Saidulayev e moradores de Alkhan-Yurt disseram à imprensa internacional que os militares lançaram granadas nos porões das casas, onde a população se refugiara dos bombardeios, e destruíram várias residências.
O ministério desmentiu hoje informações da agência militar AVN sobre a destituição do general Vladimir Shamanov, comandantre da Frente Ocidental na Chechênia, por causa do massacre na área sob seu controle. Shamanov é um dos chefes máximos dos militares russos no norte do Cáucaso.
De acordo com o alto comando russo, os rebeldes tentaram esta semana por três vezes sem sucesso deixar suas bases nas montanhas geladas do sul da Chechênia e restabelecer suas rotas de suprimento e de fuga através da ex-república soviética da Geórgia - o único país que faz fronteira com o território checheno.
Essa região e a capital, Grozny, são as últimas nas mãos das forças chechenas e estão sob intenso bombardeio russo. Para reforçar suas posições na área, a Rússia enviou esta semana para o local unidades de pára-quedistas e de fuzileiros navais. A Geórgia nega que seu território esteja sendo usado pelos rebeldes.
O presidente russo, Boris Yeltsin, assinou hoje um decreto destinando 5,6 milhões de rublos (US$ 209 mil) à aquisição de roupas, remédios e alimentos para as crianças refugiadas em acampamentos em repúblicas e regiões russas, principalmente na Ingushétia.
Cerca de 250 mil pessoas abandonaram a Chechênia desde que a Rússia inciou sua ofensiva militar, em outubro. Entidades humanitárias internacionais criticam o tratamento dado pelos russos aos refugiados e acusam o país de não providenciar comida e medicamentos para forçar os chechenos a ir para as regiões já controladas pelos militares russos na Chechênia. Segundo o Ministério de Situações Emergenciais, mais de 60 mil pessoas retornaram à república.
O governo alega estar lutando contra os rebeldes chechenos que em agosto e setembro invadiram a república russa do Daguestão e - segundo o Kremlin - são os responsáveis por uma onda de atentados que matou quase 300 pessoas em Moscou e outras cidades da Rússia na mesma época.
Depois de ter enviado tropas para o território checheno, o primeiro-ministro Vladimir Putin declarou não reconhecer mais o presidente Aslan Maskhadov e criou um governo pró-russo para a república.
Na guerra pela independência da Chechênia, de 1994-1996, os separatistas impuseram uma humilhante derrota aos russos. Um acordo de paz pôs fim ao conflito e adiou a definição sobre o status da república para o ano 2001, embora os chechenos continuassem a administrar a região como se já fosse de fato soberana.





