Mundo Novo, MS, 01 (AE) - A polícia civil de Mato Grosso do Sul deteve, para averiguações, dois suspeitos de terem participado do assassinato a prefeita de Mundo Novo, Dorcelina de Oliveira Folador (PT), morta com seis oito tiros de pistola calibre 380, sábado a noite, quando estava em sua casa com a família. A informação foi prestada pelo delegado regional de polícia de Navirai, Marcos dos Santos, que, assumiu as investigações por determinação do governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT.
O delegado não divulgou os nomes dos suspeitos. Disse apenas que os dois suspeitos estão sendo acareados, principalmente sobre o que estavam fazendo no momento do atentado. A polícia, segundo ele, trabalha com a hipótese de que o homicídio tenha tido motivação política. Desde que assumiu o cargo, a prefeita vinha recebendo ameaças de morte. Dois inquéritos foram instaurados para apurar algumas dessas ameaças, mas até agora nada foi descoberto.
O assassinato da prefeita revoltou os moradores de Mundo Novo, município de 17 mil habitantes, localizado no extremo sul de Mato Grosso do Sul, 12 quilômetros distante da divisa com o Paraguai e 18 do estado do Paraná. A Polícia Militar estima que sete mil pessoas acompanharam o sepultamento, depois de uma celebração religiosa que durou cerca de duas horas, no ginásio de esportes municipal. Muitos manifestantes atribuiram o homicídio a ação da "máfia da fronteira", uma referência aos crimes de morte registrados na região.
A prefeita vinha fazendo denúncias em entrevistas aos jornais e emissoras de televisão do Estado, sobre a atuação de quadrilhas de traficantes de drogas na região. Ela também era uma das principais incentivadoras das ações do Movimento dos Sem-Terra (MST), em cuja militância chegou a atuar, antes de ser eleita, inclusive participando de invasões de fazendas O governador Zeca do PT e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) percorreram a pé os quatro quilômetros por onde o caixão, colocado sobre uma viatura do corpo de bombeiros e coberto pelas bandeiras do Brasil, da CUT, Movimento dos Sem-Terra (MST) e do PT, passou antes de chegar ao cemitério local. O governador chorou muito e disse que não medirá esforços para identificar os responsáveis.
Hoje mesmo ele pretendia designar um delegado da cúpula da polícia civil estadual para ajudar o delegado regional de Navirai nas investigações.
Segundo Zeca do PT, o assassinato de Dorcelina deve estar ligado a sua atuação política, contrária aos grupos políticos que sempre dominaram a cidade. Mas ele informou que as suspeitas não se restringem aos limites de Mundo Novo, pois, conforme disse, a atuação da prefeita ultrapassavam o território regional.
A prefeita, uma professora de ensino fundamental, de 36 anos, casada com o presidente local do PT , Cesar Folador, era tida como administradora exemplar pelos que a apoiavam. Em vários depoimentos, durante o velório, os oradores destacaram o fato de ela ter assumido o cargo com quatro meses de salário atrasados e a prefeitura em sérias dificuldades financeiras.
Aplicando uma política austera, ela não só conseguiu equilibrar as finanças, mas deixou um saldo positivo de R$ 1,1 milhão em caixa.. Esses recursos somente seriam liberados com autorização do conselho do Orçamento Participativo, que implantou no município. Segundo o secretário da administração da prefeitura, Indalécio Vanderlei Franco, recentes pesquisas de opinião indicavam que Dorcelina tinha mais de 80% de apoio da população, o que a classificava como "imbatível" para concorrer a reeleição.
No velório, o principal dirigente do Movimento dos Sem-Terra (MST) em Mato Grosso do Sul, Egídio Brunetto, protestou contra a posse do vice-prefeito de Mundo Novo, Kleber Corrêa de Souza (PMDB), anunciada para quarta-feira (03), afirmando tratar-se "de um ato legal, mas imoral". O líder dos sem-terra chegou a oferecer apoio da militância do MST para a população da cidade, caso ela decida impedir a posse do vice. "Temos que ir para as ruas e dizer se queremos que ele assuma ou não", disse.
A posição do dirigente do MST não foi apoiada por Zeca do PT. "Ele está errado, pois trata-se de uma transição constitucional que estamos dispostos a garantir", afirmou. Segundo o governador, a única forma de seu partido recuperar o controle da prefeitura é vencer as próximas eleições municipais. Também o senador Eduardo Suplicy, pregou o cumprimento da lei na posse do vice-prefeito.
O vice-prefeito tem 31 anos, é solteiro, advogado e foi eleito pelo PMN ( Partido da Mobilização Nacional), em coligação com o PT. Ele esteve no velório domingo e hoje não acompanhou o sepultamento, segundo disse, por estar mantendo reuniões políticas voltadas para sua administração. Ele informou que desentendeu-se politicamente com a prefeita Dorcelina e que um mês após a posse afastou-se da administração e passou para o PMDB, partido que sempre dominou a política de Mundo Novo.
Kleber Corrêa garantiu estar disposto a assumir o cargo, embora tenha receio de que também possa sofrer atentados. Para governar anunciou que pretende dialogar com a assessoria da ex-prefeita e "na medida do possível", aproveitar alguns nomes ligados ao PT.

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