Detetive acusa Pascoal de dar cobertura a traficantes
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 03 (AE) - O detetive Francisco Raimundo Custódio Pessoa disse hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara que o deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC) dava "cobertura" para traficantes que traziam drogas de outros países. O detetive disse que gravou Pascoal pedindo a libertação de traficantes. Pessoa entregou aos parlamentares da CPI um mapa detalhado de todas as grandes entradas de drogas no Acre, que vêm principalmente da Bolívia, Peru e Colômbia.
Pessoa trabalhou como detetive da 6ª Delegacia de Polícia de Rio Branco e disse ter presenciado vários fatos que ligam Pascoal ao narcotráfico no Estado. Segundo o detetive, Pascoal dava cobertura somente para grandes traficantes que distribuíam drogas em grande quantidade no País. Um destes traficantes, disse Pessoa, é o sargento Alex, "braço direito de Hildebrando".
O deputado Reginaldo de Jesus (PFL-BA), que é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), questionou se o próprio detetive não usava drogas e se tinha provas das ligações de Pascoal com o tráfico. Irritado, Pessoa lembrou ao parlamentar que tinha dito no início do depoimento ter fita na qual o Pascoal pede a libertação de traficantes. O detetive dispôs-se a enviar as fitas à CPI.
O depoimento do detetive foi considerado pela CPI do Narcotráfico como uma das principais provas contra Pascoal. O deputado Antônio Biscaia (PT-RJ), que era procurador e foi responsável pela prisão de várias pessoas ligadas à máfia do bicho no Rio, disse que o depoimento do detetive é uma das provas mais contundentes que viu na vida. "É inadmissível que este cidadão esteja solto", disse Biscaia, fazendo referência a Pascoal. "Não sei o que querem mais na Câmara dos Deputados, ao não expulsá-lo."
Biscaia afirmou que somente "interesses políticos" do Congresso explicariam a não-cassação de Pascoal. O deputado petista cobrou uma iniciativa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), em favor da cassação de Pascoal.
O relator da CPI, Morone Torgan (PSDB-CE), disse que a comissão cumpriu um grande papel ao trazer várias testemunhas que ajudaram a desvendar o poder do narcotráfico no País, grande parte contra Pascoal. "Se a CPI não existisse, nada disso viria à tona", afirmou Morone.
Pessoa disse que um amigo dele, um policial conhecido como "Braguinha", do grupo de extermínio liderado por Pascoal, explicou certa vez porque matava e arrancava a cabeça da vítima. "Ele disse que era para ver se estava bem morto mesmo."
O depoimento de Pascoal na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara está marcado para amanhã (04), às 10 horas. A expectativa dos parlamentares é que ele compareça.


