Detentos tomam presídio de Sorocaba
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segunda-feira, 29 de dezembro de 1997
José Maria Tomazela Agência Estado Sorocaba 
Pelo menos duas pessoas haviam morrido até o final da tarde de ontem em uma rebelião ocorrida na Casa de Detenção de Sorocaba, localizada na Rodovia Senador José Ermírio de Moraes, interior de São Paulo. Os 830 presos dominaram o presídio, considerado de segurança máxima, durante o horário de visita. Havia mais de 300 visitantes no interior da penitenciária. Todos os visitantes, mais 17 agentes penitenciários, foram tomados como reféns. Um refém e um preso morreram durante troca de tiros com a segurança do presídio.
A rebelião começou por volta das 15 horas, durante o horário de visita aos presos. O diretor da Detenção, Willo Rogério, foi feito refém e agredido pelos rebelados, quando tentava negociar a libertação dos visitantes. Ele conseguiu escapar, mas sofreu lesões generalizadas.
Até às 20h15 de ontem, a situação continuava indefinida. Os presos negociavam a libertação de 20 reféns, entre mulheres e crianças, mas a direção exige a soltura, também, dos agentes penitenciários. Os presos pediram um carro-forte para fugir e ameaçavam matar os reféns caso não sejam atendidos.
Capão Bonito Em Capão Bonito, os 60 presos se rebelaram e tomaram as dependências da Cadeia Pública e fizeram três detentos como reféns. Até o final da tarde, os presos dominavam a cadeia.
Morte no Rio Um homem morreu e outro ficou ferido em um início de rebelião no 33º Distrito Policial, em Realengo, no Rio, no início da tarde de ontem. Alex Isaías de Leite, de 21 anos de idade, fingiu estar passando mal e chamou o carcereiro Eduardo Fernando Silva de Almeida, que foi rendido. Houve tiroteio e o detento Wagner Martins Gomes Almeida foi atingido e morreu. Leite conseguiu fugir.
Em São Paulo Os 192 presos recolhidos no 3º Distrito Policial, na Rua Aurora, em Santa Ifigênia, região central de São Paulo, rebelaram-se na madrugada de ontem, pouco depois da 1 hora, e fizeram o carcereiro Enésio Mateus como refém. Depois de quatro horas de muita conversa e com a promessa de transferência dos condenados para as casas de Detenção ou penitenciárias, os presos libertaram o carcereiro.


