Cuiabá, 24 (AE) - Vinte e cinco parentes dos próprios presos - cerca de 300 - da Penitenciária de Mata Grande, em Rondonópolis, a 220 quilômetros de Cuiabá, continuavam sendo mantidos como reféns hoje à noite, após mais de 24 horas. São 19 mulheres - 8 delas grávidas - e 6 crianças, que foram dominados pelos detentos anteontem à tarde, durante a visita. Para pressionar a libertação dos reféns, a direção do presídio havia suspendido o almoço e o jantar na cadeia. Às 21h30, porém, voltou atrás, mandou servir o jantar e suspendeu as negociações com os presos, mediada pelo juiz da Vara de Execuções Penais, Pedro Pereira Campos, que pretendiam retomar amanhã, às 8 horas.
Os presos rebelaram-se na manhã de ontem. A direção do presídio manteve o horário de visitas, na tentativa de tranquilizá-los, e os detentos aproveitaram para fazer os 25 visitantes reféns. Eles reclamam da superlotação na penitenciária e reivindicam o regime de progressão de pena e a transferência de alguns detentos para a Penitenciária do Pascoal Ramos, em Cuiabá.
A presença do juiz foi uma das condições impostas pelos presos para libertar os reféns. Campos, porém, antes de dar início às negociações, informou aos rebelados que havia feito revisão de todos os processos e, em razão disso, julgado improcendentes suas reivindicações.
Segundo o juiz, nos casos da progressão de penas, não há nenhuma pendência. Quanto às transferências, disse que não há vagas na Pascoal Ramos, onde recentemente houve uma rebelião que resultou na morte de 13 presos e 12 gravemente feridos.
O juiz não descartou a possibilidade de autorizar a ocupação da penitenciária por policiais, caso os presos não concordem em liberam os reféns.
O coordenador do Sistema Penitenciário de Mato Grosso, José Carlos Carvalho, também tentou negociar a libertação dos reféns, sem sucesso.

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