Detentos de presídio de Tremembé fazem nova rebelião
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Simone Menocchi, especial para a AE 
Tremembé, SP, 16 (AE) - Hoje por volta das 9h30 começou uma nova rebelião no Presídio José Augusto Cézar Salgado, em Tremembé, no Vale do Paraíba. Os 320 presos rebelados não fizeram reféns, mas agrediram dois detentos do seguro (os ameaçados de morte). Luiz Cláudio Ribeiro e Valdir Souto, acusados de estupro, que foram levados ao Pronto-Socorro Municipal e passam bem.
O motivo do movimento seria o fato de não haver banho de sol, pois parte do presídio foi destruído em outra rebelião, encerrada ontem (15), no qual os detentos tomaram oito reféns. A rebelião hoje durou cerca de sete horas e foi controlada pela Tropa de Choque de São Paulo, com auxilio do grupamento de Ações Táticas de São Paulo e da equipe do Canil. A juíza-corregedora, Sueli Armani Zeraick garantiu, no final da tarde, que a confusão havia acabado.
A confusão começou quando quatro presos foram impedidos de fazer a faxina das celas no piso superior do Pavihão 1. "Eles queriam sair para o banho de sol e ficaram revoltados quando foram impedidos", garantiu um funcionário que pediu para não ser identificado. Segundo a direção do presídio, não era possível manter os detentos fora das celas, para o banho de sol, pois parte da cadeia havia sido destruída um dia antes, durante a primeira rebelião
Lenços - Faixas com a frase "não estamos rebelados" e lenços brancos podiam ser vistos à tarde nas janelas dos pavilhões. Do lado de fora os famíliares dos detentos estavam ansiosos. Eliane Rodrigues, cunhada de um detento, estava há 50 horas sem notícias do cunhado, Arnaldo Mazitelli, preso há dois anos. "Meu sogro morreu aí porque teve uma crise de diabete, agora tenho medo de perder meu cunhado também", dizia Eliane. Segundo ela, a direção do presídio não havia dado notícias do preso desde segunda-feira, quando aconteceu a primeira rebelião.


