Londrina – A Vara de Execuções Penais (VEP) vai realizar um mutirão na tentativa de reduzir a população carcerária dos distritos policiais (DP) de Londrina. Ontem, mais de 240 homens se espremiam em locais onde deveriam ficar apenas 48. Presos ainda passaram por cima das autoridades e proibiram o encarceramento de mais detentos.
"É grave a situação, inclusive vejo um problema sério porque os presos não estão deixando os policiais conduzirem detentos desses distritos que têm audiências marcadas no Fórum", observou o juiz da VEP, Katsujo Nakadomari.
A força-tarefa do Poder Judiciário vai contar com apoio da Defensoria Pública do Paraná e da Subseção de Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O Estado vai ceder um defensor público de Curitiba, que na próxima semana será assessorado por três auxiliares que trabalham desde 2011 em Londrina. A OAB vai contribuir com o trabalho de seis advogados.
"A estimativa é que cerca de 30% dos detentos consigam liberdade provisória, mas é uma situação paliativa. Há necessidade urgente da construção de uma nova casa de detenção para abrigar presos provisórios em Londrina", analisou Nakadomari.
"A OAB vai ajudar, mas entendemos que é necessária uma ação definitiva do Estado. Se houvesse defensores públicos, 90% desses presos estariam cumprindo outra medida num curto período. Se nada for feito, esse cenário de superlotação vai reaparecer em seis meses", alertou a vice-presidente da OAB Londrina, Vania Queiroz.
O Estado já realizou um concurso para contratação de defensores públicos. A intenção é contratar 90 profissionais, mas a interiorização do órgão não está contemplada no orçamento.
"Não podemos continuar dessa forma, Londrina tem que ser inserida na política pública do Estado. Não é só polícia nas ruas, mas defensoria pública é justiça", criticou o coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH), Carlos Enrique Santana.
Representantes do CDH e da Pastoral Carcerária estiveram ontem na sede do 5º DP de Londrina. Houve um encontro com os líderes dos presos. "O pessoal ameaçava estourar a cadeia, isso gera uma insegurança muito grande e põe em risco a população local e os servidores. Eles deram promessas que nenhum problema seria provocado nos próximos dias, no entanto não entram novos detentos", explicou Santana, após o encontro.
A VEP autorizou ontem a transferência de nove presos da carceragem do 5ºDP para o sistema penitenciário. O 4º DP, cuja capacidade também é para 24 internos, também estava com 120 homens ontem.

mockup