Londrina – O delegado-chefe da 5º Subdivisão Policial, em Pato Branco (Sudoeste), Ivonei Oscar da Silva, encaminhou ontem um relatório à Corregedoria da Polícia Civil informando as circunstâncias em que 11 espingardas desapareceram de dentro da delegacia do município Mangueirinha.
De acordo com o documento, o único detento abrigado na carceragem teria saído da cela em que estava e furtado o arsenal que estava guardado numa cela-depósito. Mesmo interditada desde 2011 pela Justiça, a unidade de Mangueirinha era o local onde o rapaz cumpria pena em regime semiaberto (de dia, ele trabalhava em uma empresa da cidade) justamente por porte ilegal de arma.
Na Quarta-Feira de Cinzas, ele teria aproveitado a falha de um investigador, que saiu de férias e esqueceu de trancar a cela. Na madrugada, sem vigilância, o preso abriu a porta do cubículo, vasculhou o prédio, encontrou o molho de chaves no escritório da delegacia e abriu a cela-depósito, segundo relato do delegado à FOLHA. O detento teria acionado o adolescente por telefone e as armas foram entregues por um buraco na parede.
No domingo, a Polícia Militar recebeu uma denúncia anônima e prendeu sete pessoas em uma casa no centro da cidade, todas aparentemente envolvidas com o sumiço das espingardas. No entanto, a investigação da Polícia Civil descartou a participação de quatro pessoas no furto ou na receptação. Eles acabaram fazendo parte do inquérito na condição de testemunhas.
Três suspeitos, que teriam comprado algumas espingardas, foram detidos por receptação, crime que já constava na ficha policial deles.
"Estas armas levadas da delegacia não estão ligadas a nenhum processo criminal. Elas eram detidas aleatoriamente, principalmente na zona rural, em operações de combate a caçadas realizadas pela Polícia Ambiental", explicou Ivonei. A polícia ainda não sabe se as espingardas – muitas delas construídas de maneira artesanal – realmente funcionam. "Elas eram vendidas por um valor irrisório", afirmou o delegado.
O adolescente assinou um termo circunstanciado e foi encaminhado ao Conselho Tutelar para acompanhamento. Os suspeitos presos por receptação foram levados para a carceragem da 5ª SDP, mesmo local para onde o detento foi conduzido por perder o direito ao regime semiaberto.

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