Detentas se rebelam e fazem reféns no Carandiru
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 28 (AE) - Com um agente penitenciário e 13 bebês de até seis meses como reféns, as 417 detentas da Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru, zona norte, fizeram hoje (28) uma rebelião sem começo, fim nem objetivo definidos.
Com estiletes, elas dominaram durante nove horas o agente Osmar Taicini. A rebelião foi marcada pela falta de comando: entre as detentas e entre os responsáveis pelo combate. Após o anúncio do fim do protesto, decidido sem a realização de revista, funcionários e diretores do presídio ainda preocupavam-se com a possibilidade de as presas estarem armadas.
·s 18h30, meia hora antes da libertação de Taicini, dezenas de agentes da Penitenciária do Estado enviados ao local em carros particulares e sem função definida espalharam o pânico na entrada do presídio.
Correndo e com as armas em punho, disseram que as presas estavam fugindo. ·s 19 horas, os comandantes da Polícia Militar diziam, sorridentes, que tudo sempre estivera "normal e sob controle".
Segundo o juiz-corregedor Otávio Augusto de Barros Filho, não havia motivo para correria: as presas não fugiriam. A hipótese contrária é a de que, após oito horas de rebelião, ainda havia a possibilidade de evasão. O tenente-coronel Olinto Neto Bueno disse que houve o pânico apesar de haver um carro no local. "Vai que não estivesse lá", disse.
Barros Filho contou que as rebeliäes femininas não têm nem comando nem exigências definidas. "As reivindicaçäes mudam a cada hora", informou.
Ele disse que, entre as queixas, somente uma pode ser verdadeira: uma agressão que duas presas teriam sofrido. A diretora do presídio, Carmem Lúcia dos Santos, e o diretor de segurança, Walter Gomes, não deram entrevista.
Os bebês foram sequestrados da maternidade do presídio e mantidos com as mães. "Houve crime de periclitação e cárcere privado", diz o juiz.
Na porta da penitenciária, os funcionários fizeram uma espécie de rebelião paralela, por causa da falta de funcionários - admitida por Barros Filho. Elas atiraram pães e pedras nos jornalistas e câmeras, para impedir que gravassem cenas da ação policial.


