São Paulo- Os sargentos do Exército Laci Marinho de Araújo e Fernando de Alcântara de Figueiredo, que assumiram publicamente seu relacionamento afetivo, foram transferidos às 9h30 de ontem, contra a vontade, de São Paulo para Brasília. Araújo está detido na Base Aérea da capital federal, sob acusação de deserção. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que negocia com o Ministério da Defesa e com o Exército uma solução para o caso, esteve com ele.
Figueiredo está no Senado, aguardando notícias do companheiro. Ele denunciou ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) ter sido forçado a embarcar em um avião Bandeirante rumo à capital federal. Segundo o advogado do Condepe, Lúcio França, Figueiredo relatou que os dois foram retirados do Hospital Militar do Cambuci, em São Paulo, em um helicóptero militar.
A dupla de militares assumiu publicamente o relacionamento homossexual em entrevista à revista ''Época''. Logo depois de a publicação chegar às bancas, no último final de semana, eles passaram a receber ameaças de morte e tiveram seu apartamento funcional em Brasília depredado. Os episódios foram relatados por Figueiredo ao Condepe.
Para França, o caso expõe a homofobia no Exército. ''É evidente que é uma questão homofóbica'', diz. ''Eles tiveram a coragem de se expor. Desde então, têm passado por graves violações aos seus direitos humanos e de expressão.''
A reportagem tentou contatar por telefone a Seção de Imprensa do Exército, mas não teve sucesso.
Araújo rebate a acusação de deserção e afirma ter se afastado do trabalho por problemas psiquiátricos. Os laudos do Exército, no entanto, negam a doença. Para pôr fim à duvida, o Condepe enviou anteontem ao hospital militar um médico psiquiatra independente, representante do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CRM).
O médico Paulo César Sampaio diagnosticou que o sargento sofre de ''psicose orgânica, estresse traumático e depressão''. Mesmo assim, os militares mantiveram o sargento preso e o transferiram para Brasília.

mockup