Deten próxima da venda; Petroquisa abdica da preferência
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 13 - A Petrobras Química (Petroquisa) decidiu abrir mão do direito de preferência sobre a aquisição das ações ordinárias que suas sócias UNA e União de Indústrias Petroquímicas (Unipar) possuem na Deten. A decisão foi tomada hoje de manhã, em assembléia convocada pela estatal. Isso quer dizer que as duas empresas estão livres para vender o controle da Deten, indústria de insumos para detergente, instalada no pólo petroquímico de Camaçari (BA), onde cada uma possui 35,63% das ações ordinárias.
Segundo o vice-presidente da Unipar, Vitor Mallmann, a empresa notificou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as bolsas de valores sobre o recebimento de uma proposta pela venda de sua participação acionária na Deten. Quem ofertou foi a espanhola Petresa, que também enviou proposta à UNA. O valor da transação ainda não é revelado. A Unipar também informou aos sócios UNA e Petroquisa sobre o recebimento da proposta de alienação.
A renúncia da Petroquisa já era esperada. Anos atrás, a estatal colocou suas posições da segunda geração petroquímica à venda e não conseguiu concretizar vários negócios. Um deles, a parte que mantém na Deten. Além disso, sabe-se que a Petresa não compraria a Deten caso a Petroquisa também quisesse vender sua parte. Pois é a estatal que garante o insumo principal (normal parafina) à Deten.
A manifestação da Petresa como compradora firme do controle da Deten - negócio que deverá se realizar até o final deste ano, faz com que a Unipar passe a pensar no que realmente interessa, atualmente. O pólo gás-quimico do Rio e a Petroquímica União (PQU), posições principais da Unipar no Sudeste.
O valor relativo ao capital acionário da Deten, que cabe à Unipar, será aplicado no pólo do Rio, onde uma parte do aporte financeiro (cerca de US$ 110 milhões) deverá ser bancado pelos sócios privados (o Grupo Suzano é o outro sócio, que entra com US$ 110 milhões). Os outros US$ 90 milhões serão aportados pela Petrobras. As outras duas partes, até completar o valor total do empreendimento, que é de US$ 900 milhões, serão captadas em forma de empréstimos no Brasil e no exterior.
Já o presidente do Conselho Administrativo da Deten e presidente da UNA Química, Sérgio Pedreira de Cerqueira, afirma que pretende se afastar dos negócios assim que a venda da Deten for fechada. Ele considera sua idade (73 anos) muito avançada para iniciar novos negócios. "Nesses momentos, sempre aparece alguém propondo algo. Mas não estou interessado", avisa ele.


