Mundo Novo, MS, 21 (AE) - Para aguentar o peso do atirador que matou a prefeita de Mundo Novo (MS), Dorcelina de Oliveira Folador, ocorrido em 30 de outubro, a escada rústica de madeira usada pelo assassino foi reforçada, de acordo com conclusão de peritos do Instituto Estadual de Criminalística do Mato Grosso do Sul. O pistoleiro acusado de ter matado Dorcelina com seis dos oito tiros disparados, Getúlio Machado, pesa 50 quilos e a escada foi preparada para suportar, no mínimo, 60 quilos. Outro detalhe importante levantado pelos peritos é que os tiros foram disparados por um pistoleiro canhoto, mas Machado é destro.
A escada foi posta do lado de fora da casa e os tiros, disparados quando Dorcelina estava sentada de costas para o assassino, na varanda de sua casa.
Segundo alguns juristas de Campo Grande, que preferem ficar no anonimato, as dúvidas de um processo favorecem o réu durante julgamento. Machado poderá afirmar perante o juiz que foi obrigado a confessar o assassinato, mediante a pressão que sofria. Até mesmo o presidente Fernando Henrique Cardoso pediu empenho no esclarecimento do homicídio.
O acusado de ter matado a prefeita mentiu várias vezes durante os 40 dias de investigações feitas por 12 policiais, selecionados a dedo pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Franklin Masrhua. O pistoleiro havia dito que a arma do crime teria sido jogada no Rio Paraná, mas estava na casa de Thófilo Stocker, em Cascavel (PR). Disse também que a camisa usada na noite do crime foi jogada no Rio Paraná junto com a arma, mas foi encontrada no guarda-roupa da casa da mãe dele, em Mundo Novo, junto com outras vestimentas.
Nos fundos da casa da mãe de Machado, foram encontrados enterrados os sapatos, luvas, peruca, bigode, caixa de munição e o silenciador da pistola calibre 70, usada para matar Dorcelina. O acusado de ser o mandante do crime, Jusmar Martins da Silva, foi secretário de Fazenda da prefeitura na gestão de Dorcelina e foi demitido por incapacidade, o que pode ter motivado o assassinato.
Atualmente, os policiais investigam a origem dos R$ 20 mil entregues para Machado como pagamento pela pistolagem. Entretanto, não encontraram nada concreto, apenas suspeitas que não podem ser comprovadas, entre elas, a participação no pagamento do pistoleiro, de dois conhecidos políticos que ocupam cargos importantes em Mundo Novo e em Campo Grande. O suspeito receberia R$ 35 mil pela pistolagem - os outros R$ 15 mil seriam pagos em 15 de dezembro. Os R$ 20 mil recebeu foram pagos quatro dias após o assassinato.
As conclusões dos peritos deixaram intranquilo o governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, e o secretário de Segurança. Eles acreditam que uma nova reconstituição do crime deverá ser feita, visando a acabar com as dúvidas. Além de Machado e Silva, estão envolvidos no caso Maurício Fernandes da Silva e o irmão Jeremias da Silva, o despachante Roldão Teixeira de Carvalho, o empresário Alvise Danagnollo, como co-autores, Manoel José Idalgo, como o primeiro pistoleiro contratado que não deu conta do serviço, além dos cúmplices Stocker, Ismael Silva e Valdenir Machado, irmão de Getúlio Machado. Com eles, foram apreendidas 21 armas de fogo.

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