Desde a notícia de que o Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC) estava envolvido num esquema de desvio de dinheiro, desmatelado pela polícia paranaense na semana passada, os 20 voluntários do Grupo de Assistência ao Paciente com Câncer (Gapacan), de Londrina, não conseguem mais trabalhar. ''As pessoas estão revoltadas e desacreditadas. E como o nome é parecido com o da entidade fraudadora, as pessoas até desligam o telefone na cara da atendente'', lamenta Clarice Pereira Lima, secretária do conselho administrativo do Gapacan.
Segundo ela, o grupo conta com o trabalho de três operadoras de telemarketing que arrecadam recursos para atender 60 famílias carentes de portadores de câncer de Londrina e região todo mês. Para completar os cerca de R$ 6 mil mensais necessários à manutenção da entidade, os voluntários vendem sacos de lixo e guardanapos e realizam bingos, rifas, chás e almoços beneficentes.
O Gapacan, criado em junho de 2000, atende principalmente crianças e o foco, segundo Clarice, é o trabalho pós-hospitalar. ''Compramos medicamentos, alimentos, suplementos alimentares, oferecemos transporte, psicólogos e trabalhos de assistência social'', diz a secretária.
Para a voluntária da ONG Viver, que assiste 180 crianças e adolescentes com câncer em Londrina e outros 40 municípios do Norte Pioneiro, Nina Cotello, o descobrimento da fraude serviu para que a entidade fortalecesse sua idoneidade junto à comunidade. ''Sempre deixamos claro que não fazemos telemarketing e não mandamos nenhum motoboy cobrar nada de ninguém.''
A ONG Viver gasta em torno de R$ 6 mil para manter a unidade e os recursos são fruto de doações de empresas. ''Se a pessoa quiser fazer uma doação, tem que conhecer o nosso trabalho e doar pessoalmente. Se não puder, um voluntário ou até mesmo um membro da diretoria vai à casa do doador para coletar o dinheiro'', explicou a voluntária, lembrando que a ONG foi fundada em julho de 2001 por voluntários que já prestavam serviços para o Hospital do Câncer.
Em ambas as ONGs são fornecidos recibos e no caso da ONG Viver, o acesso é livre para os livros nos quais são anotadas as prestações de contas. ''A gente fica chateada de ver o que aconteceu porque a gente luta com a maior dificuldade do mundo para conseguir ajudar essas pessoas'', desabafa Nina.

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