Desvalorização não deve ter impacto inflacionário, diz especialista
Rio, 14 (AE) - A desvalorização do real em quase 9%, consequência da mudança promovida na política cambial brasileira, não deverá ter impacto inflacionário - vale dizer, a estabilidade da moeda não está em risco.
Nem o encarecimento do preço do petróleo importado preocupa. A avaliação é de um dos maiores especialistas em inflação no País, o professor e decano de economia da Pontifícia Universidade Católica do rio de Janeiro (PUC), Luiz Roberto Cunha.
Ele disse que a medida certamente encarecerá as importações, mas no caso da mais importante delas, a de petróleo, não haverá nenhuma necessidade de correção de preços. O petróleo, lembrou, está com cotações em queda no mercado internacional. Ele recordou ainda que os preços dos combustíveis no Brasil já estão alinhados e suportam bem a importação de petróleo a um dólar mais caro.
Cunha frisou que, além disso, a desvalorização não foi um porcentual determinado pelo governo, mas sim a antecipação do que seria a correção cambial ao longo de um ano. A desvalorização, destacou, pode até vir a ser menor, se tudo der ``especialmente certo'. ``Afinal, o câmbio é flutuante e, portanto, dependendo das circunstâncias ele pode flutuar mais próximo do limite superior da banda cambial, ou mais prósimo do limite inferior'. Assim, repassar logo a correção cambial para os preços de insumos importados seria um tanto precipitado, na opinião do economista.
Segundo ele, o governo teria mesmo de tomar a decisão de mudar o regime cambial e todos estavam convictos de que isso ocorreria. ``Só que se esperava que isso fosse feito lá para março ou abril', admite, acrescentando, contudo, que a mudança teve de ser promovida logo, por causa da enorme saída de divisas do país na segunda-feira (mais de US$ 1 bilhão), por sua vez provocada pela moratória em Minas Gerais decretada pelo governador daquele Estado, Itamar Franco.
Cunha não tem dúvidas de que tecnicamente a mudança já estava preparada, aguardando apenas o momento propício para ser anunciada. O ato de Itamar, entretanto, levou à fuga de divisas e à urgência em introduzir a nova política cambial, como forma de enfrentar mais um ataque especulativo contra o real. Tanto isso é verdade que o presidente da República, interrompeu suas férias no Sergipe no primeiro dia para retornar a Brasília. ``Sem o Itamar, isso tudo seria feito, mas de maneira mais tranquila', assinalou.





