São Paulo, 12 (AE) - As fusões e aquisições entre janeiro e setembro deste ano no País caíram 20%, se comparadas com igual período de 1998, de acordo com pesquisa da KPMG Corporate Finance. Nos nove primeiros meses do ano, foram realizadas 233 operações, ante 283 registradas nesse mesmo período do ano passado. A queda foi atribuída pela KPMG à mudança na política cambial, ao adiamento das privatizações e ao "bug" do milênio.
Segundo André Castello Branco, sócio da KPMG, a desvalorização do real, em janeiro deste ano, afetou consideravelmente o número de operacões, e, já no primeiro trimestre, elas caíram 40% em comparação com o mesmo período de 1998. A pesquisa mostra também que, no terceiro trimestre deste ano, as fusões e aquisições chegaram a 91, sendo que no Estado de São Paulo ocorreram 37,2% dessas operações, seguido pelo Rio de Janeiro (20%), Minas Gerais (10%) e Bahia (5,4%).
Outro fator apontado pela KPMG para a queda no número dessas operações se refere ao fato de os governos federal e estadual terem adiado algumas privatizações para o próximo ano, como por exemplo o Banespa, algumas geradoras e distribuidoras de energia elétrica e empresas de saneamento básico. Castello Branco afirma também que a virada do milênio também afetou o desempenho dessas operações, já que muitas companhias estrangeiras estão esperando terminar o ano para minimizar os riscos do "bug" do ano 2000.
Como todos esses fatores são circunstancias, segundo a KPMG, existe um forte indício de que o próximo ano será promissor em termos de fusões e aquisições para o Brasil. Para o escritório de consultoria, alguns setores que vêm apresentando destaque têm amplo potencial de desenvolvimento. Ainda de acordo com a pesquisa da KPMG, os setores de telecomunicações e informática (computação) lideraram as fusões e aquisições nos nove primeiros meses do ano. Os dados mostram, por exemplo, 36 operações no setor de telecomunicações (38% a mais em relação aos três primeiros trimestres de 1998), envolvendo capital nacional e estrangeiro. Depois, aparecem as áreas de computação e de supermercados, com 22 cada uma e, em terceiro, os setores de alimentos, bebidas e de fumo.

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