Esteio (RS), 1 (AE) - O impacto da desvalorização cambial, especialmente sobre insumos como herbicidas, inseticidas e fungicidas, provocou um aumento de 28,5% sobre os custos de produção de milho, de 13% nas lavouras de trigo e de 3% na soja este ano no Rio Grande do Sul. O levantamento foi apresentado hoje, durante a Expointer 99, pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro).
Conforme o assessor econômico da entidade, Tarcísio Minetto, o custo por hectare plantado de milho passou de R$ 427 00 em 1998 para R$ 549,00 este ano. Ele explicou que o valor de 1999 foi apurado como base no dólar de 1o. de julho, cotado a R$ 1,75. Portanto, a desvalorização do real desde lá provocou novas elevações de custos.
No trigo, a produção passou a custar R$ 472,00 por hectare este ano, contra R$ 417,00 em 1998, informou Minetto. Na soja, a variação foi de R$ 443,00 para R$ 456,00 no período . De acordo com a Fecoagro, o levantamento foi elaborado considerando uma produtividade média de 4.500 quilos por hectare no milho e de 2.400 kg/ha na soja e no trigo.
Os volumes são bem superiores aos rendimentos obtidos pelas culturas nas suas últimas colheitas, que ficaram em 2.446 kg/ha no milho, 1.513 kg/ha na soja e 1.343 kg/ha no trigo. "As margens obtidas pelos produtores nessas culturas estão muito apertadas", disse Minetto.
A situação mais séria é enfrentada pelos triticultures, pois seu custo de produção por saco atinge R$ 11,85, enquanto o mercado está pagando R$ 12,00 pelo produto.
No milho, os preços recebidos pelos agricultores estão na faixa dos R$ 9,20 o saco, para um custo de produção de R$ 7 35, segundo o estudo da Fecoagro. Para a soja o quadro é um pouco mais confortável, conforme Minetto. Os produtores estão recebendo cerca de R$ 16,00 por saca, para um custo correspondente de R$ 11,47.

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