Desvalorização do real não deu prejuízo ao BBV Bilbao
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sábado, 27 de fevereiro de 1999
por Reali Júnior 
Bilbao, Espanha 27 (AE) - O Banco de Bilbao e Viscaya poderá reexaminar sua estratégia de curto prazo no Brasil, mas a de médio e longo prazo será mantida sem nenhuma mudança. Essa afirmação foi feita hoje, em Bilbao, durante a assembléia anual do banco pelo diretor geral do BBV América - Europa, José Ignacio Goirigolzarri. Com a crise brasileira, o banco que já efetuou investimentos no valor de 1,5 bilhão de dólares no Brasil vai se limitar em 1999 a consolidar sua posição instalando os sistemas e conhecendo o processo do banco , o que lhe permitirá ampliar substancialmente o negócio a partir do ano 2.000.
Goirigolzarri explicou que com a desvalorização do real, felizmente o banco não teve prejuízos, mesmo porque seu investimento posterior aos 853 milhões de dólares, mais 700 milhões encontravam-se depositados em dólares e não em reais. Isso pode ter compensado perdas iniciais, mas o diretor do banco espanhol não quis revelar esse números.
Hoje, o presidente do grupo BBV, Emilio Ybarra, diante de três mil acionistas e mais de 100 jornalistas , espanhóis e estrangeiros, reunidos no Palácio Euskalduna, no coração do país basco espanhol, anunciou os resultados do exercício de 1998, uma rentabilidade sobre o capital de 21 % e uma previsão de beneficio em 1999 da ordem de 20%.
Sobre a América Latina ele disse em sua apresentação que a posta realizada pelo BBV está fundamentada no seu potencial de crescimento econômico, nas reformas estruturais em andamento, no processo de abertura para o exterior e na sua maior estabilidade política e democrática, tendo acrescentado: "Apesar das dificuldades atuais, a situação não tem comparação com a Rússia e ásia, e a América Latina mantém suas excelentes perspectivas a médio prazo.
Dessa forma esse grupo financeiro confirma sua opção pelos países latino-americanos. "Nós somos obsessivos por estratégias e não somos um banco de táticas de curto prazo", respondeu o diretor do Banco de Bilbao e Viscaya, após uma apresentação dos planos para o Brasil e América Latina destinada a jornalistas latino americanos. Como se vê, a direção do banco mantém sua estratégia no continente que continua visando, prioritariamente Brasil, Chile e Porto Rico, mesmo porque já se encontra fortemente instalado na Argentina. O diretor do BBV considera que seu banco pode ser definido como "agricultor e não caçador", um grupo com estratégia claramente definida e não um banco tático.
Objetivo do BBV é ser um dos três primeiros bancos no ano 2000. A ambição desse grupo financeiro continua sendo a de ser um dos três primeiros grupos latino americanos até o ano 2000, objetivo fixado já há um ano. Por essa razão, agora, a meta é fortalecer sua presença no país, não prevendo novas aquisições a curto prazo, mas também não excluindo-as totalmente
admitindo, por exemplo , que poderá estuda-las. Por exemplo, a próxima privatização do Banespa. Hoje em dia, o Banco é o décimo colocado do ranking brasileiro, ocupando 2,8% do mercado, reunindo 6.000 empregados e ativos no valor de 4,6 bilhões de dólares.
O crescimento do banco no conjunto da América Latina continua em forte expansão , registrando um aumento dos ativos de 48% no período 97-98: de 39% dos créditos e mais 46% do número de clientes, excetuando-se o Brasil que só passou a figurar no balanço no ultimo trimestre do ano. Também a evolução de sua conta de resultados é muito positiva , um aumento de 48% de sua margem financeira e 24 % de sua margem de exploração, atingindo no conjunto do continente a 321 milhões de dólares. Quanto aos benefícios eles cresceram nesse mesmo período em 31 %
passando de 388,4 milhões para 508,8 milhões de dólares.
Brasil poderá ter recuperação "a la coreana" - A crise financeira brasileira e suas repercussões sobre outros países da América Latina, Argentina e Uruguai principalmente, pode não alterar a estratégia de longo prazo decidida pelo Banco Bilbao Viscaya de implantar se no continente, mas o grupo trabalha a partir de dois cenários diferentes levando em conta a evolução da situação no Brasil. Seu economista chefe, Miguel Sebastian Gascon, revelou hoje em Bilbao, a margem da Assembléia Geral do banco, que o cenário mais otimista prevê uma forte recessão este ano , mas uma rápida recuperação a partir do ano 2.000 , "a la coreana", cujo economia já tem revelado resultados positivos após a forte crise que abalou aquele país.
"O diagnóstico do caso brasileiro é fácil e poderia ser estabelecido até pelos meus alunos de terceiro ano", disse o economista chefe do banco espanhol, lembrando que muito mais difícil e complexo é diagnosticar a crise japonesa. No Brasil, trata-se de um problema fiscal e sua solução é muito mais política do que é econômica, dependendo da capacidade do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso de implementar as medidas de ajuste fiscal que o país necessita e manter a inflação sob controle.
Já o cenário mais pessimista e mais difícil, segundo Miguel Sebastian Gascon, seria o de agravamento da recessão com a manutenção de taxas negativas de crescimento durante muito tempo. Esse ano, sua opinião é de que essa taxa será da ordem de menos 4 % do PIB. Ele não tem dúvidas sobre as causas da crise brasileira : "Elas são claras. É preciso reduzir o déficit público". Se o governo brasileiro Brasil conseguir equacionar esse problema sairá rapidamente da recessão segundo acredita o economista chefe do Banco Bilbao Viscaya , reafirmando que tudo vai depender da política fiscal e monetária e da aplicação das medidas previstas no novo pacote econômico. Quanto as repercussões da crise brasileira no resto da América Latina, Gascon lembra que ela será limitada. Excetuando-se a Argentina e Uruguai , o resto da América Latina deverá ter um crescimento de 2% esse ano, mas na Argentina o crescimento será negativo, mas próximo a zero. A Argentina depende da força do dólar, a seu ver atualmente excessivamente valorizado, penalizando sua economia, mas a moeda norte americana deverá até o final do ano encontrar um ponto de equilíbrio , num patamar um pouco menos elevado.


