Brasília, 11 (AE) - A crise cambial brasileira é de caráter transitório, e a desvalorização do real deverá ficar em torno de 20%, passados os efeitos iniciais das medidas de ajuste tomadas pelo governo. Esta foi a avaliação feita hoje pela delegação brasileira que participou, em Montevidéu, da reunião de cúpula das organizações que integram o Conselho Industrial do Mercosul.
Segundo informativo distribuído pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a delegação brasileira foi chefiada pelo presidente da entidade, Fernando Bezerra, e integrada pelos empresários e dirigentes da CNI Oswaldo Douat, Dagobertto Godoy, José Carlos Gomes de Carvalho e Luís Eulálio Bueno Vidigal.
Os empresários brasileiros reafirmaram, ao mesmo tempo, a necessidade de se avaliar com cautela os efeitos da crise sobre as relações comerciais entre os países do Mercosul, bem como a importância de se consolidarem o Mercosul e seus compromissos.
Defenderam a necessidade de se estabelecer uma agenda positiva de trabalho entre as entidades industriais. Deixaram claro, além disso, que não pretendem tirar nenhuma vantagem dessa situação temporária, manifestando, pelo contrário, o propósito de criar regras permanentes que possam consolidar as relações comerciais entre os membros do mercado comum.
Os empresários afastaram, entretanto, a possibilidade de se estabelecerem mecanismos transitórios de compensação para as empresas dos demais países, como por exemplo uma taxação das exportações brasileiras para o Mercosul, defendida por argentinos e uruguaios.
Ainda conforme o informe da CNI, o próximo passo do Conselho Industrial do Mercosul será estabelecer uma agenda comum de trabalho para propor aos governos soluções comuns para os problemas no âmbito do Mercosul. Essa agenda será elaborada a partir de reuniões técnicas entre as entidades do setor dos países-membros.

mockup