Desvalorização do câmbio câmbio prejudica produção, avalia Fiesp
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 27 (AE) - A queda de 2,7% do indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista surpreendeu os empresários. De acordo com a diretora titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Clarisse Seibel, o resultado refletiu tanto fatores internos quanto externos. No cenário doméstico, a desvalorização do câmbio provocou a perda do poder aquisitivo dos salários e, consequentemente, a queda do consumo da população.
Com isso, explicou a economista, a indústria passou a depender da elevação do crédito para alavancar a produção. Isso remete à preocupação manifestada pelo Banco Central de tentar reduzir a disparidade entre a taxa Selic e o crédito final do consumidor para conseguir reativar as vendas e a produção.
Além da escassez de crédito, Clarisse apontou como fator negativo para o desempenho da indústria a perda de fôlego do impacto do processo de substituição dos produtos importados por nacionais, iniciado após a desvalorização do real. Ela diz que essa situação foi agravada pela queda de renda da população, que deixou de consumidor muitos dos produtos que antes eram importados.
Ainda do ponto de vista externo, a economista citou a demora na recuperação das exportações, por conta da atual condição de desaquecimento econômico dos países da América Latina. Segundo ela, 42% das vendas de manufaturados do Brasil são feitas para a América Latina, especialmente para a Argentina
que tem previsão de queda de 0,6% do PIB este ano.
A exceção fica por conta do México, que tem apresentado resultados positivos, mas que representa muito pouco na pauta de exportação do Brasil. "A situação da exportação é preocupante, porque a perspectiva de alavancar a atividade industrial está extremamente ligada à nossa capacidade de exportar", afirmou.
Clarisse disse ainda que, para melhorar o desempenho das exportações, é necessário um investimento maior e mudança cultural das indústrias. O único setor que pode apresentar crescimento de exportações no segundo semestre, segundo previsões da Fiesp, é o de papel e celulose, que pode registrar incremento de 4,80% no acumulado de janeiro a setembro.


