Desvalorização de 40% não faz Fipe rever inflação de 6% em 99
São Paulo, 26 (AE) - O economista Heron do Carmo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo, acredita que é prematuro alterar a previsão de que a inflação acumulada em 1999 chegue a 6%. Este índice foi calculado na semana passada, quando a desvalorização do real frente ao dólar era de 20%. Mas hoje já ultrapassou o patamar de 40%.
"O mundo real não reage a esses eventos com a mesma rapidez do mercado financeiro", disse Carmo, minimizando o impacto da elevação contínua da cotação na formação de preços. Ele aposta que ainda é muito grande a instabilidade do mercado e que essa desvalorização "excessiva" será revertida nos próximos dias, atingindo uma cotação bem inferior à de R$ 1,96, atingida hoje. Ele acredita que estabilização ocorra no início de fevereiro.
De imediato, o efeito da desvalorização é, segundo Carmo, uma paralisação dos negócios. "Ao invés de mais inflação, teríamos uma recessão agravada", comentou o economista. "O empresário que repassar aumento de custos para os produtos terá suas vendas reduzidas." Segundo Carmo, a crise cambial, iniciada com a saída de Gustavo Franco da presidência do Banco Central no último dia 13, não seria tão longa a ponto de fazer com que o real perca sua referência. Desde a última semana, empresários vem afirmando que têm dificuldades de fixar o preço de produtos que dependem de insumos importados. Na Rússia, a forte desvalorização do rublo fez que isso acontecesse de forma geral, atingindo os consumidores.
"Uma perda de referência só viria numa situação de convulsão", ponderou Carmo, dizendo que o País está longe deste cenário. Segundo ele, apenas se o governo perdesse o controle da dívida interna, decretando moratória, uma hiperinflação poderia ocorrer. Esta possibilidade, que Carmo chama de "caos", é distante.





