Buenos Aires, 03 (AE) - Nesta sexta-feira de manhã, a Argentina acordou como único grande país da América do Sul a ter um tipo de câmbio fixo. Na noite anterior, o Banco Central Chileno decidiu suspender seu compromisso de manter a banda cambial, deixando sua moeda flutuar, e avisando que somente intervirá em casos excepcionais.
A medida causou reações antagônicas na Argentina: há quem o tome como algo positivo, e há quem se preocupe.
Um dos preocupados é o ex-ministro da Indústria e Comércio da Argentina, Roberto Lavagna, cotado para assumir o mesmo cargo a partir de dezembro, se a coalizão de oposição vencer as eleições presidenciais de outubro, disse ao Estado que o abandono da banda cambial no Chile "abre espaços para complicações adicionais para a Argentina". Lavagna afirma que os dois únicos mercados com os quais a Argentina teve superávits nos últimos tempos foram o Brasil e o Chile.
Por causa da desvalorização do real a Argentina teve uma drástica redução de suas exportações ao Brasil, e agora, sustenta o ex-ministro, "ao adotar agora o Chile uma postura deste tipo corre-se o risco de que este mercado nos possibilite um superávit muito menor, ou até um déficit comercial, com o que complica-se um pouco mais a situação dos argentinos". No ano passado, o superávit argentino com o Chile foi de US$ 900 milhões, e esperava-se para este ano um superávit de US$ 600 milhões, por efeito da recessão chilena.
Lavagna sustenta que o abandono da banda cambial no Chile não será necessariamente um abalo na credibilidade no câmbio fixo, particularmente no caso argentino: "a paridade um a um entre o peso e o dólar não será julgada por causa disso. Isto apenas deve ser interpretado que a ausência de políticas econômicas para estimular a competitividade sem desvalorizar são a partir de hoje urgentíssimas. Mas não deve haver outras conclusões além destas".
"Foi uma medida positiva", afirmou à Agência Estado a economista Mecerdes Marcó del Pont, da Fide (Fundação de Investigações para o Desenvolvimento). A economista sustentou que à diferença da Argentina, o Chile não colocou a economia de seu país "no piloto automático esperando que melhorem as condições externas". Marcó del Pont considerou que desta forma, o Chile "não perde sua soberania monetária e cambial, algo que a Argentina não tem".
A economista afirma que o impacto na Argentina poderia ser positivo, já que se a recessão chilena se retrair, "nosso país poderá aumentar suas exportações para lá. Duvido que aconteça uma invasão de produtos chilenos aqui, já que os produtos deles não são competitivos com os nossos. Exportamos para o Chile petróleo e gás. Não seria a mesma situação que ocorreu com a desvalorização do real, onde houve muitos produtos industriais daqui que sofreram a competitividade brasileira".
Marcó del Pont, uma das poucas economistas a favor de uma desvalorização argentina, considera que "a decisão chilena é um passo a levar em conta, e que deveria servir de exemplo à Argentina".

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