Desvalorização cambial não é mágica, diz Franco
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Rodney Vergili 
São Paulo, 29 (AE) - O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, disse no seminário "Perspectivas para a Economia Brasileira", organizado pela Tendências Consultoria Integrada, que a liberalização cambial "não é mágica alguma e não transformará o País em máquina de crescimento". Segundo ele
os juros não foram reduzidos dramaticamente, como se esperava, pois o mundo econômico é regido por leis mais implacáveis. Para Franco, é preciso trabalhar corretamente no campo fiscal e das reformas para se conseguir resultados mais duradouros.
Maxi - Segundo Franco, a maxidesvalorização de 83%, após o dia 13 de janeiro, foi paga na totalidade pelo setor público, que garantiu toda a dívida externa do setor privado e realizou operações de socorro nos mercados futuros. Segundo ele, o setor público aumentou a dívida pública em 11% do Produto Interno Bruto (PIB) nessas operações de garantia à desvalorização atabalhoada do real. Participantes do seminário que acontece no Hotel Meliá questionaram Franco sobre a explosão da dívida pública interna durante sua gestão no Banco Central (BC), com a prática de juros altos e valorização do real. Ele afirmou que, em 1993, a dívida externa correspondia a 50% da dívida pública, e, ao final de sua gestão, a apenas 5%. Acrescentou, ainda, que houve uma redução do déficit público com privatizações que chegaram a US$ 50 bilhões.


