Rio, 05 (AE) - O setor de celulose é tradicionalmente exportador, mas outros que também costumam vender bem para o mercado externo não fazem apostas tão altas. A pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) constatou, por exemplo, que apenas 23% das empresas calçadistas prevêem aumento das exportações de julho a setembro, ante 77% em abril. Além da desvalorização cambial, o fôlego do setor de celulose é explicado pela recuperação dos preços internacionais. Conjugados, os fatores vão permitir aumento da receita em dólares e, mais ainda, em reais.
Depois de um período delicado, quando os países asiáticos em crise inundaram o mundo de celulose e papel, deprimindo os preços, a cotação da celulose se recuperou. "Os preços já subiram 32% este ano", afirmou o analista da Sirotsky & Associados, Carlos Antônio Magalhães. "A demanda está sustentada, é forte nos Estados Unidos e está crescendo na ásia", explicou o diretor-geral da Klabin, Josmar Verillo. Em abril, 15% das empresas da pesquisa da FGV previam aumento de preços acima das taxas normais. Na sondagem de julho, a participação subiu para 38%. Depois de um período em que 95% das empresas consideravam o mercado internacional estável, 41% passaram a considerá-lo forte. Apenas 1% acredita em um desempenho fraco. No ano passado, as exportações de celulose aumentaram 13,3% em volume, mas não em receita, ficando em US$ 2 bilhões. Este ano, entretanto, a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) prevê um faturamento de US$ 2,4 bilhões.
Segundo Magalhães, as ações das principais empresas do setor acompanharam a curva ascendente dos preços. "Enquanto a Bovespa acumula alta de cerca de 45% no ano, os papéis da Klabin subiram 300%; os da Aracruz, 360,5%; os da VCP (Votorantim Celulose e Papel), 353,8% e os da Suzano, 212,7%." Verillo informa que, no início de setembro, está previsto um aumento de cerca de US$ 30 no preço da tonelada de celulose no norte da Europa, que deve bater US$ 550. "Há um ano, os preços estão se recuperando".
A receita de exportações da Klabin cresceu de 23% do faturamento, em 1998, para 30% nos seis primeiros meses de 1999. Na VCP, as vendas externas cresceram 20% no segundo trimestre de 1999, em relação ao mesmo período de 1998. Apesar do cenário positivo, as empresas ainda não pensam em rever investimentos. "O setor requer investimentos grandes, da ordem de US$ 500 milhões para um equipamento, algo difícil de fazer com a economia instável e os juros altos", disse Verillo. (M.F.D.)

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