São Paulo, 3 (AE) - O coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo, explicou hoje que, a partir do acompanhamento da experiência de desvalorização do real neste ano, é possível afirmar que o impacto de uma desvalorização de 10% na moeda é uma alta de 2% na inflação. Segundo ele, essa é a justificativa para o governo ter 6% como meta inflacionária para o ano 2000, já que a desvalorização terá efeito residual no ano que vem à medida que ainda não foi integralmente repassada aos preços finais do consumidor. "Se não fosse isso, a inflação do próximo ano seria muito pequena", disse Carmo, já que a inflação deste ano foi puxada basicamente pelos aumentos de tarifas públicas e dos combustíveis, no rastro da desvalorização do real.
Ontem (2), o diretor do Banco Central, Sérgio Werlang, disse à AGÊNCIA ESTADO que a principal preocupação da política monetária é o cumprimento das metas de inflação. "Nós temos uma meta de longo prazo que não podemos comprometer", afirmou.
Ele admitiu que o BC tem dúvidas sobre o impacto do câmbio sobre os preços, ponderando que o efeito deve ser muito pequeno. Segundo o diretor, o BC precisa, no entanto, ter certeza sobre o exato tamanho do impacto do câmbio sobre os preços ao consumidor e, para isso, está fazendo uma série de projeções e estudos.

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