Destruição e atrocidades foram exageradas, segundo congresso dos EUA
Washington, 01 (AE-ANSA) - Muitas das cifras utilizadas pela administração Clinton para descrever o sofrimento na província de Kosovo, a menos de um mês do fim dos bombardeios da Otan, foram "amplamente exageradas", segundo disseram fontes do Congresso norte-americano citadas hoje (01) pelo jornal USA Today.
"As atrocidades existiram, mas nada é comparável ao denunciado pela administração", disse o presidente da comissão de inteligência da Câmara dos Representantes, Porter Goss.
Os números apresentados pelo USA Today obrigaram o Pentágono a se defender: "Eram os melhores dados que tínhamos à disposição", declarou o porta-voz Kenneth Bacon em defesa de seu chefe William Cohen, que comparou Slobodan Milosevic a Adolf Hitler.
Segundo o USA Today, em vez de 100.000, os albaneses mortos no curso da campanha de repressão das forças sérvias seriam de "apenas" 10.000. Inlusive as colheitas, na província em que ocorreu a guerra, seriam boas.
Ontem, no entanto, o Senado sancionou uma lei de ajuda exterior concedendo US$ 150 milhões a Kosovo, mas negou fundos à Sérvia e classificou Belgrado como "estado terrorista". A proposta, que a Câmara ainda precisa aprovar e que o presidente ameaçou vetar, inclui US$ 20 milhões para o treinamento de forças de segurança em Kosovo.
Segundo a Casa Branca, isto "poderia ser interpretado como um fundo que aponta para o treinamento e reaproveitamento do ELK (Exército de Libertação de Kosovo)", e "se oporia diametralmente" ao recente acordo pelo desarmamento da guerrilha kosovar sob a supervisão da Otan.
Na Câmara, o debate sobre a reconstrução foi condicionado pelos números do USA Today, enquanto Goss, um republicano contrário aos bombardeios, aproveitou para acusar a administração de ter "inflado" artificialmente as cifras para levar água ao moinho da guerra.
Mas no Pentágono, Bacon sustentou que pouco importa se as atrocidades foram menores que o previsto: "Uma matança não é mais repugnante se, em vez de 100.000 pessoas, morrem apenas 10.000."
O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Mike Hammer, negou que exista vontade consciente de desinformar. "Apesar de acharmos melhor números mais baixos, a ação era justificada", declarou, admitindo que "a própria administração percebeu que em uma campanha militar deste tipo a margem de incerteza é muito alta".





