Sarajevo, 08 (AE-REUTERS) - O principal enviado de paz ocidental para a Bósnia, Carlos Westendorp, disse hoje (08) que sua decisão de destituir o ultranacionalista presidente sérvio bósnio Nikola Poplasen por obstruir o processo de paz era "irrevogável".
"Poplasen está fora", afirmou o diplomata espanhol à REUTERS.
Ele também afirmou que uma decisão em separado de um árbitro independente de declarar a disputada cidade controlada pelos sérvios de Brcko um distrito neutro era final e tem de ser cumprida.
Os sérvios bósnio vêem o porto do rio Sava como uma linha vital ligando as partes oriental e ocidental de seu território e dizem que a decisão de retirar Brcko do controle deles na prática divide a república sérvia em duas partes.
Mas Westendorp buscou aplacar a ira sérvia, dizendo que ele tinha escrito para o presidente do parlamento Petar Djokic "garantindo que o território como mostrado no mapa de Dayton permanecerá contínuo".
Westendorp afirmou que ele e o supervisor internacional de Brcko, embaixador Robert Farrand, estavam prontos para reunir-se com autoridades sérvio-bósnias para ouvir suas posições.
As duas iniciativas ocidentais, ambas anunciadas na sexta-feira, foram recebidas com ultraje tanto por linhas duras como moderados sérvio-bósnios.
Uma sessão de emergência do parlamento sérvio-bósnio no domingo decidiu retirar os representantes da entidade dos órgãos estatais da Bósnia, que também agrupam muçulmanos e croatas.
O boicote sérvio das instituições comuns na Bósnia foi colocado em prática hoje no encontro de um grupo de trabalho interétnico sobre o retorno de refugiados e de uma comissão estatal sobre questões de fronteira.
Westendorp disse que era preciso tempo para que as tensões desvanecessem.
"Acredito que devemos manter a calma". Ele reconheceu que a situação era difícil, mas expressou confiança de que ela irá melhorar com o tempo.
Desafiando a ação de Westendorp, Poplasen afirmou que não aceita sua destituição. Ele atendeu à sessão de emergência de domingo do parlamento, e até mesmo discursou.
Mas Westendorp disse que Poplasen era "sensível o suficiente" para partir. "Qualquer ação que ele possa tomar numa tentativa de exercer autoridade e privilégios de seu antigo cargo é inválida", afirmou.
Westendorp também disse que esperava que a coalizão Sloga (Unidade) de tendência ocidental iria manter-se unida, apesar de frustações internas que seguiram-se à decisão sobre Brcko.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro moderado sérvio Milorad Dodik renunciou por causa da decisão sobre Brcko, mas disse hoje que iria "reconsiderar" sua decisão, sem dar maiores detalhes.
Westendorp afirmou que Dodik iria permanecer como primeiro- ministro em exercício e destacou que sua renúncia ainda não havia sido aprovada pelo parlamento sérvio-bósnio.
Autoridades ocidentais disseram que o momento escolhido para as iniciativas ocidentais visavam enviar uma firme mensagem ao presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, que o Ocidente acusa de interferir na Bósnia.
"Tudo resumisse a enviar um forte sinal a Milosevic dando conta que não vamos ser atropelados por linhas duras", disse uma autoridade.
Entretanto, eles reconheceram o risco de os eventos na Bósnia fazerem com que a Sérvia torne-se ainda mais intransigente na tumultuada província de Kosovo, onde separatistas albaneses étnicos têm lutado pela independência.
"É uma estratégia arriscada, mas temos de seguir em frente tanto na Bósnia quanto em Kosovo", disse o oficial.

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