Destino da China na OMC pode ser definido esta semana
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 21 (AE) - O ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) pode ser decidido esta semana em Pequim, onde membros da União Européia e do governo chinês retomaram as discussões técnicas para chegar a um acordo definitivo sobre essa incorporação. A China, que já alcançou acordos bilaterais com os Estados Unidos, Japão, Canadá e Brasil
entre outros, espera conseguir o mesmo com os europeus para poder, de vez, incorporar-se ao comércio mundial.
Há 14 anos, quando começou a Rodada Uruguai do Gatt, os chineses vêm fazendo concessões comerciais, porém consideradas insuficientes para o ingresso do país à OMC, cujo comércio de bens e serviços ultrapassa os US$ 7 trilhões por ano. Em novembro de 1995, por exemplo, a China anunciou o maior pacote de medidas de sua história ao reduzir em 30% as suas tarifas de importação e permitir a entrada de empresas estrangeiras por meio de companhias de capital misto e de risco compartilhado (joints).
Dois anos depois, a China reduziu a tarifa básica de importação de 23% para apenas 17%, mas manteve barreiras especiais para itens considerados sensíveis, como automóveis. Desde então, Pequim vem exigindo maior acesso para seus produtos
principalmente os manufaturados. A União Européia, por sua vez, quer da China uma maior flexibilidade para a participação de companhias européias nas empresas chinesas.
O que está sobre a mesa de negociações esta semana, por exemplo, é o porcentual de participação de europeus em empresas chinesas. A União Européia acredita que 49% deixa as companhias européias em posição minoritária, sem poder controlar qualquer gestão.
Outro aspecto pendente é a dimensão geográfica para abrir subsidiárias e o período de transição até a liberalização total do mercado chinês. Os europeus esperam também chegar a um acordo sobre tarifas, para facilitar o acesso de determinados produtos industrializados - químicos, máquinas e equipamentos e artigos de luxo que os Estados Unidos exportam hoje de forma mais competitiva -, e serviços - telefonia celular, bancos e seguros -, onde os europeus estão melhor posicionados do que os norte-americanos.
Outro aspecto a ser abordado entre europeus e chineses até terça ou quarta feiras é a questão agrícola e normas sanitárias. O acordo entre a China e a União Européia esta semana deve facilitar o sinal verde do Congresso norte-americano para a integração dos chineses à OMC, já que o presidente Bill Clinton teria argumentos para acelerar esse processo.
O mercado chinês é o oitavo mais importante para os europeus. Já a União Européia é o quarto principal sócio dos chineses, em volume de comércio. Embora, as importações chinesas venham crescendo a um ritmo maior do que as exportações européias a esse mercado, a União Européia ainda tem um déficit significativo em sua balança comercial com a China. Em 1998, por exemplo, as exportações do bloco europeu somaram a 17,38 bilhões de euros (US$ 17 bilhões), enquanto que as importações chegaram a 41,82 bilhões de euros (US$ 41,4 bilhões), segundo a Eurostat (escritório de estatística da União Européia).


