Rio, 19 (AE) - O governo deve baixar nos próximos dias portaria interministerial desregulamentando as tarifas aéreas. A medida, anunciada pelo comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Walter Werner Brauer, deve acarretar um aumento imediato entre 8% e 11% nas chamadas "tarifas cheias", ou seja, o preço da passagem livre de qualquer campanha promocional. A estimativa foi feita hoje pelo presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), brigadeiro Mauro Gandra.
Gandra alega que o reajuste pesará mais para empresas, já que o passageiro comum, que viaja a passeio, poderá ser beneficiado, segundo ele, por promoções mais abrangentes. "Paga quem não quer voar, mas o faz por obrigação", argumenta o brigadeiro. "O usuário comum só será penalizado se precisar fazer um vôo de urgência", conclui, lembrando que há descontos para quem compra passagens com antecedência. O Departamento de Aviação Civil (DAC) confirma o estudo, feito pelos Ministérios da Fazenda, da Defesa e do Comando da Aeronáutica, mas não a sua conclusão. O resultado do levantamento está agora na Casa Civil.
O último aumento no preço das tarifas aéreas entrou em vigor há cerca de dois meses, depois do reajuste dos combustíveis em junho. O Comando da Aeronáutica autorizou o aumento de 10,9%, enquanto as companhias aéreas reivindicavam 18%. Há cerca de um mês e meio, quando TAM e Transbrasil reivindicaram aumento de 9,5%, o DAC considerou válido conceder 2,9%, mas o Ministério da Fazenda vetou o reajuste. "De lá para cá, o dólar já subiu muito e fica difícil para as empresas absorverem isso, já que entre 35% e 40% de seus custos são em dólar", diz o brigadeiro Gandra.
Segundo ele, os descontos promocionais hoje estão entre 8% e 20%, mas já chegaram à média de 40% antes das crises econômicas internacionais de 1997 e 98 e da desvalorização do real frente ao dólar em janeiro deste ano. "Com a desregulamentação haverá margem para as empresas aumentarem seu leque de promoções", afirma. A medida está em estudos desde o dia 22 de setembro.
A conclusão do trabalho foi anunciada na noite de segunda-feira pelo comandante da Aeronáutica em jantar para empresários do setor. "Hoje temos a satisfação de anunciar a desregulamentação das tarifas aéreas, meta que vem sendo perseguida de longa data pelas empresas e pelo próprio DAC", anunciou.
"O mercado agora vai ditar os preços", defende Gandra. "E, como a crise econômica ainda não foi debelada, as empresas, de uma maneira geral, não estão tão bem financeiramente e ninguém vai aguentar elevações drásticas", comentou.

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