Despreparo na área de enfermagem ameaça pacientes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de julho de 2001
Agência EstadoDe Brasília 
O despreparo de profissionais de enfermagem ameaça a vida de milhares de pacientes internados em hospitais no País. Estimativa do Ministério da Saúde mostra que dos 565 mil trabalhadores em funções auxiliares, 225 mil - 40% - são leigos. Um quarto desse contingente desqualificado não terminou sequer o ensino fundamental.
Os riscos são fáceis de imaginar. É o auxiliar de enfermagem quem administra a medicação prescrita pelo médico, aplica injeções e faz a higiene dos pacientes. Para isso, precisa ler os prontuários e identificar corretamente tanto os frascos de remédios quanto os doentes. É preocupante, diz o presidente do Conselho Federal de Medicina, Edson Andrade. O atendente não deveria ter contato direto com o paciente, diz a gerente-geral do Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem (Profae) do Ministério da Saúde, Rita Sório. Uma injeção no músculo errado pode levar à paralisia, reforça a presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, Ruth Miranda. Sem falar nas mortes causadas pela troca de medicamentos.
Por esse motivo, o governo decidiu dar treinamento aos leigos. Lançado no ano passado, o Profae já treinou 54 mil profissionais. O Ministério da Saúde fará novo cadastramento até 31 de agosto. A idéia é oferecer cursos para técnico de enfermagem, que exige escolaridade de nível médio.


