na terça Por Jobson Lemos
São Paulo, 22 (AE) - O Rio Pinheiros começa a ser despoluído terça-feira. A inauguração do maior emissário terrestre da cidade enviará para a Estação de Tratamento de Barueri 30% do esgoto que hoje é lançado no rio. O paulistano, entretanto, ainda deve demorar para ver alguma diferença. Mesmo com a redução, ainda serão lançadas 196 toneladas de esgoto diariamente no Pinheiros. "O fundamental é ver que o Projeto Tietê está tendo continuidade", afirma o ambientalista Samuel Barreto, da Fundação SOS Mata Atlântica.
O principal, segundo ele, é fazer que o Rio Tietê "renasça" o mais próximo possível da região metropolitana. A redução do volume de esgoto lançado no Pinheiros, de acordo com ele, poderá ser percebido pela população de Itu e de Salto. "A obra tem algum significado quanto à qualidade da água". Para o secretário dos Recursos Hídricos, Saneamento e Obras, Antônio Carlos de Mendes Thame, a recuperação dos Rios Pinheiros e Tietê tem implicações diretas no abastecimento de água da região metropolitana. "O caminho da recuperação dos rios é ter água mais próximo da capital".
O diretor de Controle de Poluição Ambiental da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Orlando Zuliani Cassettari, é menos otimista. Segundo ele, o Pinheiros vai continuar por muito tempo sendo um rio morto. Na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a previsão de técnicos é que depois de 2003 a água dos rios possam ser usados por indústrias em processos industriais. Apesar de não ser o que Thame espera, isso representaria economia de água para a população. Hoje, as indústrias usam água potável para atividades em que a tratada - sem qualidade para consumo - serviriam. Etapas - A nova tubulação construída pela Sabesp vai permitir que o esgoto da região oeste e de parte da região sul da capital sejam tratados. Antes, mesmo com a Estação de Tratamento de Barueri preparada para recuperar 9.500 litros, o esgoto que vai para o Pinheiros não chegava até lá.
Na elaboração do Projeto Tietê - criado depois de uma campanha com mais 2 milhões de assinaturas da "Rádio Eldorado" para a despoluição dos rios -, os técnicos acabaram projetando e construindo primeiro as estações de tratamento para depois fazer que as tubulações levassem o esgoto até elas. Hoje, a Sabesp coleta 33 mil litros de esgoto por segundo na região metropolitana. As cinco estações de tratamento têm capacidade para tratar 18 mil litros por segundo.
Mesmo com a tubulação, que custou R$ 113 milhões, elas serão utilizadas com metade da capacidade, porque o esgoto não chega até elas. Apenas depois de encerrada a terceira etapa do Projeto Tietê é que a Sabesp deverá ter condições para tratar a quantidade de esgoto coletada hoje na Grande São Paulo. Por enquanto, é preciso esperar que o Senado autorize a Sabesp a receber os US$ 200 milhões que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) liberou para financiar a segunda etapa do projeto desde outubro.
Na segunda fase, a Sabesp pretende terminar com as ligações clandestinas de esgoto e coletar 90% do esgoto produzido. Hoje, são coletados cerca de 80%. Para Barreto, se o Estado cumprir as metas do projeto, será a vez de iniciar um trabalho de educação ambiental com a população. "Para que não jogue lixo nas ruas". Hoje, capivaras e garças podem ser vistas no Rio Pinheiros ao lado de garrafas plásticas que não são levadas pelas tubulações de esgoto.

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